Publicado em: 22/01/2026 às 17:30hs
O Brasil começa a dar passos concretos rumo à produção de fertilizantes de baixo carbono, com custos cada vez mais próximos aos dos insumos produzidos a partir de gás natural.
Segundo um estudo do Instituto E+ Transição Energética, em parceria com o Rocky Mountain Institute (RMI), o país já reúne condições técnicas e econômicas para avançar na fabricação de fertilizantes sustentáveis, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a segurança produtiva.
O levantamento mostra que projetos de amônia produzida com eletricidade renovável e biometano já apresentam custos competitivos em comparação com a amônia cinza (gerada com gás natural) e a amônia azul (que utiliza captura de carbono).
A competitividade é ainda maior em projetos híbridos localizados em áreas portuárias, onde há melhor integração logística e acesso facilitado à infraestrutura de exportação.
A amônia é o principal insumo na produção de fertilizantes nitrogenados e representa de 60% a 90% do custo final desses produtos.
O relatório destaca que a análise não compara os custos nacionais com os preços internacionais dos fertilizantes, concentrando-se exclusivamente nas condições internas de produção.
Essa abordagem segue as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes 2050 (PNF 2050), que busca reduzir a dependência externa e estimular a produção doméstica.
Atualmente, 97% dos fertilizantes nitrogenados utilizados no Brasil são importados, deixando o setor agrícola vulnerável à volatilidade dos preços internacionais. Em 2024, o déficit comercial do segmento chegou a US$ 4,3 bilhões.
De acordo com o estudo, a capacidade instalada atual e os projetos em desenvolvimento no país poderiam permitir a produção de até 3,8 milhões de toneladas de nitrogênio por ano, o que corresponde a 45% da demanda projetada para 2050.
Parte desse volume viria de fontes de baixo carbono, reforçando o potencial brasileiro para se tornar um produtor relevante de fertilizantes sustentáveis.
Os pesquisadores ressaltam que o avanço do setor depende de políticas públicas integradas, investimentos privados, melhoria na infraestrutura logística e incentivos à demanda.
Com esses fatores, o país poderá reduzir riscos de abastecimento, aumentar a competitividade e fortalecer a segurança produtiva no longo prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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