Fertilizante caro pode perder eficiência em solo ácido e elevar custos no campo
Correção da acidez melhora o aproveitamento dos nutrientes, fortalece as raízes e ajuda o produtor a transformar o investimento em adubação em maior produtividade
Publicado em: 23/09/2026 às 11:45hs
O aumento da produção nacional de fertilizantes é considerado estratégico para a segurança agrícola do Brasil, mas ampliar a oferta interna não resolve sozinho um dos principais desafios das lavouras: o aproveitamento eficiente dos nutrientes aplicados no solo.
Em áreas com acidez elevada e manejo inadequado, parte do investimento em adubação pode não entregar o retorno agronômico esperado. O problema ganha relevância diante dos custos elevados dos fertilizantes e da dependência brasileira de produtos importados, atualmente próxima de 85%.
A avaliação é de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, em artigo publicado na Revista Pensar Agro.
Solo ácido reduz eficiência dos fertilizantes
Os fertilizantes estão entre os insumos mais caros e estratégicos da produção agrícola. Entretanto, o desempenho da adubação depende das condições químicas e físicas encontradas pelas plantas no solo.
Quando a acidez não é corrigida adequadamente, o desenvolvimento das raízes pode ser prejudicado, limitando o acesso das culturas à água e aos nutrientes. Como consequência, parte do potencial produtivo proporcionado pelo fertilizante deixa de ser aproveitada.
Na prática, isso significa que elevar a quantidade aplicada não garante, necessariamente, maior produtividade. O resultado também depende da capacidade das plantas de absorver os nutrientes disponíveis.
Calcário prepara o solo para melhor aproveitamento dos nutrientes
A aplicação de calcário exerce função complementar à adubação. Embora não substitua os fertilizantes, a calagem corrige a acidez do solo e fornece cálcio e magnésio, elementos importantes para o desenvolvimento das culturas.
A correção adequada favorece o crescimento do sistema radicular. Com raízes mais profundas e bem distribuídas, as plantas conseguem explorar maior volume de solo, ampliando o acesso à água e aos nutrientes.
Esse processo pode aumentar a eficiência dos fertilizantes e melhorar o retorno econômico da adubação, especialmente em um cenário de insumos caros e margens mais apertadas para o produtor rural.
Produção nacional precisa avançar junto com eficiência no campo
O Programa Nacional de Fertilizantes, o PROFERT, busca estimular investimentos no setor e reduzir a exposição do Brasil ao mercado externo. Para Prado, a iniciativa representa um avanço importante, mas precisa ser acompanhada por estratégias voltadas ao uso racional dos insumos nas propriedades.
A política para fertilizantes deve atuar em duas frentes: aumentar a capacidade produtiva nacional e garantir que cada tonelada aplicada seja aproveitada com maior eficiência pelas lavouras.
Além da disponibilidade do insumo, o manejo do solo torna-se decisivo para reduzir perdas, controlar custos e elevar a produtividade agrícola.
Análise de solo orienta decisões de manejo
A melhoria da eficiência começa pelo diagnóstico das condições de cada área. A análise de solo permite identificar o nível de acidez e orientar tanto a correção quanto o planejamento da adubação.
Com informações técnicas, o produtor pode ajustar as aplicações às necessidades das culturas e às características do terreno. O objetivo é criar condições para que os nutrientes sejam absorvidos e convertidos em desenvolvimento vegetal e produtividade.
Em um país altamente dependente da importação de fertilizantes, produzir mais insumos internamente é estratégico. Aproveitar melhor os nutrientes já utilizados nas lavouras, porém, também é fundamental para fortalecer a competitividade e a segurança da agricultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias