Adubos e Fertilizantes

Entregas de fertilizantes superam 12 milhões de toneladas no Brasil em 2026, mas produção nacional recua e mercado enfrenta desafios

Demanda por adubos cresce no primeiro quadrimestre impulsionada pela safrinha de milho, enquanto custos, cenário internacional e queda da produção interna mantêm atenção do setor


Publicado em: 09/07/2026 às 12:00hs

Entregas de fertilizantes superam 12 milhões de toneladas no Brasil em 2026, mas produção nacional recua e mercado enfrenta desafios
Foto: APPA - Paranaguá

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro ultrapassaram 12,3 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O resultado representa crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 12,11 milhões de toneladas.

Apesar do avanço acumulado, o desempenho de abril já sinaliza uma desaceleração diante dos desafios enfrentados pelos produtores rurais, incluindo cenário geopolítico internacional instável, crédito mais restrito e juros elevados, fatores que influenciam as decisões de compra de insumos para a próxima safra de verão.

Em abril, as entregas totalizaram 2,54 milhões de toneladas, volume 6% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando alcançou 2,70 milhões de toneladas.

Safrinha de milho impulsionou demanda por fertilizantes

O crescimento observado nos primeiros meses do ano esteve diretamente ligado ao aumento da necessidade de adubação para a segunda safra de milho.

O avanço da safrinha contribuiu para elevar as compras de fertilizantes entre janeiro e março, mas os números de abril já refletem uma mudança no ritmo do mercado, com produtores avaliando custos e disponibilidade financeira para o planejamento da próxima temporada agrícola.

A combinação entre preços dos grãos, custo dos insumos e condições de financiamento tornou-se um dos principais fatores analisados pelo produtor antes da aquisição dos fertilizantes.

Mato Grosso lidera entregas de fertilizantes no Brasil

Entre os estados brasileiros, Mato Grosso permanece como o maior consumidor de fertilizantes.

No primeiro quadrimestre de 2026, o estado recebeu 3,06 milhões de toneladas, equivalente a 24,9% do total entregue no país.

Na sequência aparecem:

  • São Paulo: 1,39 milhão de toneladas;
  • Paraná: 1,33 milhão de toneladas;
  • Goiás: 1,31 milhão de toneladas;
  • Minas Gerais: 1,05 milhão de toneladas.

O ranking reforça a concentração da demanda nas principais regiões produtoras de soja, milho e outras culturas de grande escala.

Produção nacional de fertilizantes registra queda em 2026

Enquanto as entregas avançaram, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração.

Em abril, a produção nacional alcançou 510 mil toneladas, queda de 9,2% na comparação anual.

No acumulado de janeiro a abril, o país produziu 1,92 milhão de toneladas, redução de 14,4% frente às 2,24 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Segundo a ANDA, um dos fatores que explicam a redução está relacionado ao aumento dos custos dos insumos utilizados na fabricação nacional, especialmente o enxofre empregado na produção de fertilizantes fosfatados.

A entidade também destaca que mudanças societárias e retomadas de operações em algumas unidades produtivas fizeram com que parte da produção nacional ainda não fosse totalmente contabilizada no levantamento do primeiro quadrimestre.

Importações seguem fundamentais para abastecer mercado brasileiro

A dependência brasileira das compras externas continua sendo um dos principais pontos do mercado de fertilizantes.

Em abril de 2026, as importações de fertilizantes intermediários chegaram a 3,05 milhões de toneladas, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

No acumulado do primeiro quadrimestre, o volume importado atingiu 11,21 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 11,26 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025.

O desempenho das importações também foi influenciado pela necessidade de abastecimento da safrinha de milho, que apresentou maior demanda por nutrientes.

Porto de Paranaguá mantém liderança na entrada de fertilizantes

O Porto de Paranaguá, no Paraná, continua como principal porta de entrada dos fertilizantes importados pelo Brasil.

Entre janeiro e abril, o terminal recebeu 2,84 milhões de toneladas, representando 25,4% do total importado pelo país.

Apesar da liderança, o volume foi 6,5% menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando chegaram 3,04 milhões de toneladas ao porto paranaense.

Os dados têm como base informações do Sistema de Comércio Exterior (Siacesp/MDIC).

Mercado de fertilizantes monitora cenário internacional

O setor segue atento ao ambiente externo, marcado por incertezas geopolíticas, oscilações nos preços das matérias-primas e desafios logísticos globais.

O Brasil permanece altamente dependente das importações para atender sua demanda agrícola, tornando fatores como câmbio, custos internacionais e disponibilidade de insumos determinantes para a formação dos preços internos.

Além disso, as condições de crédito rural e o nível dos juros continuam influenciando a capacidade de investimento dos produtores.

Perspectivas para os próximos meses

O desempenho do mercado de fertilizantes ao longo de 2026 dependerá do comportamento da demanda para a safra de verão, da evolução dos preços agrícolas e da estabilidade das cadeias globais de fornecimento.

Mesmo com entregas superiores a 12 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre, o setor enfrenta o desafio de equilibrar crescimento da demanda, menor produção nacional e dependência das importações.

Para o agronegócio brasileiro, a disponibilidade de fertilizantes continuará sendo um fator estratégico para garantir produtividade e competitividade nas próximas safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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