Publicado em: 18/06/2026 às 18:00hs
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro mantiveram trajetória de crescimento no início de 2026. Dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) apontam que o setor movimentou 9,76 milhões de toneladas no primeiro trimestre do ano, volume 3,8% superior às 9,40 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
O resultado reforça a demanda do agronegócio brasileiro por insumos estratégicos para a produção agrícola, mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e de um ambiente doméstico de crédito restrito e juros elevados.
Somente em março, as entregas de fertilizantes alcançaram 2,83 milhões de toneladas, representando crescimento de 18,7% em relação às 2,38 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo mês do ano anterior.
O desempenho reflete a intensificação do planejamento das lavouras e a manutenção dos investimentos em produtividade por parte dos produtores rurais, especialmente nos estados com maior relevância agrícola.
Principal potência agrícola do país, Mato Grosso concentrou o maior volume de fertilizantes entregues entre janeiro e março, respondendo por 25,2% do total nacional.
O estado recebeu 2,45 milhões de toneladas no período, consolidando sua liderança no consumo de insumos agrícolas.
Na sequência aparecem:
Os números demonstram a forte concentração da demanda nas principais regiões produtoras de grãos, fibras e bioenergia do país.
Enquanto as entregas avançaram, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração.
Em março de 2026, foram produzidas 483 mil toneladas, volume 9,7% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.
No acumulado do primeiro trimestre, a produção nacional totalizou 1,41 milhão de toneladas, queda de 16,2% frente às 1,68 milhão de toneladas produzidas entre janeiro e março de 2025.
Segundo a ANDA, parte dessa redução pode estar relacionada a mudanças societárias em empresas do setor e ao processo de retomada operacional de alguns ativos industriais, fatores que podem ter impactado a captação completa dos dados de produção.
A dependência brasileira das importações de fertilizantes continua sendo uma característica relevante do setor.
Em março, o país importou 2,74 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, avanço de 10,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro trimestre, as importações somaram 8,15 milhões de toneladas. Apesar do elevado volume, o resultado representa uma redução de 4% na comparação com as 8,49 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
O desempenho reforça a importância do mercado externo para o abastecimento da agricultura brasileira, especialmente em um momento de elevada demanda por nutrientes para as principais culturas do país.
Principal porta de entrada dos fertilizantes importados no Brasil, o Porto de Paranaguá movimentou 2,12 milhões de toneladas entre janeiro e março de 2026.
O volume, entretanto, ficou 13,5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o terminal recebeu 2,45 milhões de toneladas.
Mesmo com a retração, Paranaguá respondeu por 26,1% de todas as importações brasileiras de fertilizantes realizadas pelos portos nacionais, mantendo sua posição estratégica para o abastecimento do agronegócio.
Apesar do crescimento das entregas, o setor de fertilizantes segue monitorando fatores que podem influenciar os custos de produção ao longo do ano.
As tensões geopolíticas globais, as oscilações nos mercados internacionais de matérias-primas, a disponibilidade de crédito rural e o elevado patamar das taxas de juros permanecem entre os principais desafios para produtores e distribuidores.
Ainda assim, o desempenho registrado no primeiro trimestre demonstra a resiliência do agronegócio brasileiro e a continuidade dos investimentos em tecnologia e produtividade, fatores essenciais para sustentar a competitividade da produção agrícola nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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