Publicado em: 31/03/2026 às 10:45hs
O agronegócio brasileiro segue enfrentando um risco estrutural pouco visível, mas de grande impacto: a forte dependência de fertilizantes importados. Apesar dos avanços em produtividade e competitividade global, o país ainda depende majoritariamente de insumos externos para sustentar sua produção agrícola.
A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, que alerta para os riscos associados ao fornecimento desses insumos essenciais.
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes. Desse total, 43,3 milhões de toneladas foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88%.
O volume adquirido no exterior gerou um desembolso anual estimado em cerca de US$ 25 bilhões, evidenciando o peso desses insumos na balança comercial e nos custos do setor produtivo.
Os fertilizantes têm participação significativa nos custos das principais culturas agrícolas do país. No cultivo da soja, podem representar até 40% do custo total, enquanto no milho esse percentual pode chegar a 50%.
Esse cenário amplia a sensibilidade do produtor rural às oscilações de preços no mercado internacional.
Apesar de possuir reservas minerais relevantes, o Brasil ainda apresenta baixa produção interna de fertilizantes. A participação doméstica varia conforme o nutriente:
Os números mostram que o país segue altamente dependente de fornecedores internacionais, especialmente no caso do potássio.
A forte dependência externa, somada às variações cambiais e às tensões geopolíticas, aumenta o risco sistêmico para o agronegócio brasileiro.
O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, sendo que cerca de 45% das importações brasileiras têm origem em regiões com maior instabilidade.
Eventos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% nos preços da ureia em 2022, durante a Guerra entre Rússia e Ucrânia, além de novas elevações registradas em 2025 diante das tensões no Oriente Médio.
Mesmo com potencial produtivo e capacidade tecnológica, o Brasil ainda enfrenta desafios como entraves regulatórios, custos elevados de produção e dependência logística externa.
Segundo a análise, a redução dessa vulnerabilidade passa por um conjunto de estratégias, incluindo:
A tendência, no entanto, não é de autossuficiência no curto prazo, mas sim de construção de maior segurança estratégica no abastecimento, reduzindo a exposição a choques externos e garantindo maior estabilidade ao setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias