Adubos e Fertilizantes

Demanda global eleva preços dos fertilizantes e pressiona poder de compra do produtor brasileiro em 2026

Cenário internacional aquecido e menor oferta mundial impulsionam alta dos fertilizantes, agravando a relação de troca entre grãos e insumos no Brasil.


Publicado em: 10/02/2026 às 18:40hs

Demanda global eleva preços dos fertilizantes e pressiona poder de compra do produtor brasileiro em 2026
Alta internacional dos fertilizantes desafia produtores brasileiros

O início de 2026 tem sido marcado por um cenário desafiador para o produtor rural brasileiro. De acordo com análise da StoneX, as relações de troca entre grãos e fertilizantes voltaram a se deteriorar, reduzindo o poder de compra dos agricultores e levando muitos a adotar uma postura mais cautelosa na aquisição de insumos.

Atualmente, são necessárias 36 sacas de milho para comprar uma tonelada de ureia, cerca de cinco sacas a mais do que no início do ano. No caso da soja, o produtor precisa vender 29 sacas para adquirir uma tonelada de MAP, aumento de aproximadamente cinco sacas em relação ao começo de 2026.

Demanda global impulsiona preços e restringe oferta

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a valorização dos fertilizantes no mercado internacional está diretamente relacionada ao aumento da demanda global. “Os principais países consumidores estão se preparando para a temporada de adubação da primavera, o que sustenta os preços e pressiona o mercado brasileiro”, afirma.

Os Estados Unidos lideram as compras para recompor estoques de fertilizantes antes da safra de primavera, enquanto a China amplia suas aquisições internas e reduz exportações, restringindo ainda mais a oferta no mercado mundial.

Outro fator que mantém o mercado aquecido são as negociações pontuais da Índia, que realiza grandes leilões de compra de ureia. A expectativa por novas aquisições indianas tem reforçado a percepção de mercado firme, mesmo diante de sinais de cautela em outras regiões.

Produtores brasileiros adotam postura cautelosa

No Brasil, a janela de compras da safrinha está praticamente encerrada, e o intervalo até a próxima safra de soja 2026/27 leva os produtores a postergar negociações à espera de condições mais vantajosas.

Apesar disso, o analista alerta que não há garantias de queda significativa nos preços nos próximos meses. “Mesmo que a demanda norte-americana e chinesa desacelere em algum momento, o apetite de compra do Brasil e da Índia deve crescer ao longo do ano, o que pode sustentar as cotações em patamares elevados”, observa Pernías.

Perspectivas para o mercado de fertilizantes em 2026

Com a combinação de demanda internacional aquecida, custos elevados e incertezas cambiais, o cenário segue desafiador para o produtor brasileiro. A expectativa é que as decisões de compra e planejamento de insumos continuem exigindo cautela, especialmente durante o primeiro semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --