Publicado em: 25/03/2026 às 17:00hs
O mercado global de fertilizantes enfrenta um período de forte instabilidade, marcado por alta expressiva nos preços e sinais crescentes de possível desabastecimento nos próximos ciclos agrícolas. O cenário já começa a impactar diretamente o Brasil, que depende majoritariamente de importações para suprir a demanda interna.
As informações foram destacadas por Igor Madruga, especialista no setor de insumos, que acompanha as recentes oscilações do mercado.
Nos últimos dias, a ureia registrou uma valorização significativa no mercado global, atingindo cerca de US$ 660 por tonelada CFR na Ásia — um avanço de aproximadamente 40% em apenas um mês.
O movimento é impulsionado, principalmente, por restrições nas exportações chinesas de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, além das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com destaque para o Irã, que influenciam a produção e a oferta global.
No Brasil, os reflexos desse cenário já aparecem de forma clara nos dados de importação. Nos dois primeiros meses de 2026, as compras externas de ureia recuaram 33%, indicando um possível aperto na oferta interna.
Ao mesmo tempo, fertilizantes formulados, como o 20-05-20, registraram aumento de 16,5% em janeiro, pressionando diretamente os custos de produção no campo.
As projeções para o ano indicam um possível déficit de até 3 milhões de toneladas de fertilizantes no país. Esse cenário eleva o risco de desabastecimento, especialmente para a safra 2026/27.
Culturas estratégicas como soja, milho e algodão estão entre as mais expostas aos impactos da escassez e da alta de preços, o que pode comprometer a rentabilidade do produtor rural.
Diante das incertezas, produtores rurais têm adotado estratégias para mitigar os impactos. Entre as alternativas está a substituição parcial por outras fontes, como o sulfato de amônio, que já acumula valorização de cerca de 19%.
Também há uma crescente mobilização para ampliar o uso de fertilizantes de origem nacional e adotar mecanismos de proteção contra novas oscilações de preços no mercado internacional.
Atualmente, o Brasil depende de aproximadamente 85% das importações para suprir sua demanda por fertilizantes. Esse alto nível de dependência torna o país mais vulnerável às oscilações do mercado global.
Com isso, o cenário atual pode resultar em um aumento entre 20% e 30% nos custos de produção das principais culturas, ampliando a preocupação no setor agrícola e reforçando a necessidade de estratégias de longo prazo para reduzir a dependência externa.
Diante da combinação de preços elevados, oferta restrita e incertezas geopolíticas, o mercado de fertilizantes segue no radar de produtores, empresas e autoridades.
O momento exige planejamento estratégico e adoção de medidas que garantam o abastecimento e a sustentabilidade da produção agrícola brasileira nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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