Publicado em: 24/03/2026 às 20:00hs
A intensificação do conflito no Oriente Médio passou a preocupar produtores rurais de Mato Grosso, especialmente em relação à compra de fertilizantes para a safra 2026/27 de soja. A avaliação consta em análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária.
De acordo com o levantamento, embora os fertilizantes nitrogenados sejam os mais impactados no curto prazo — com reflexos mais diretos sobre o milho —, também há preocupação com os fosfatados, amplamente utilizados na soja.
Em 2025, 58,91% das importações brasileiras dessa categoria tiveram origem no Egito e em Israel, regiões diretamente envolvidas ou afetadas pelas tensões geopolíticas.
Até fevereiro de 2026, os sojicultores de Mato Grosso haviam adquirido 44,43% do volume necessário de fertilizantes para a safra 2026/27.
O percentual representa um avanço de 13,33 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ciclo anterior, indicando maior antecipação nas compras diante do cenário de incerteza.
Apesar do avanço, ainda há uma parcela significativa das aquisições a ser realizada, especialmente ao longo do segundo e terceiro trimestres — período considerado estratégico, por concentrar o pico das importações de fosfatados.
Segundo o Imea, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, produtores que optarem por adiar as compras poderão enfrentar maior volatilidade nos preços.
O instituto alerta que possíveis gargalos logísticos e o aumento dos fretes marítimos tendem a elevar os custos de importação de fertilizantes.
Esse cenário pode impactar diretamente o planejamento financeiro dos produtores, principalmente em um momento de incertezas no mercado global.
Os fertilizantes têm peso expressivo no custo de produção da soja em Mato Grosso. Segundo o Imea, os insumos representam 45,12% do custo total da cultura.
Diante disso, uma eventual alta nos preços pode levar produtores a reduzirem o pacote tecnológico, o que pode comprometer o potencial produtivo da safra 2026/27.
Com custos mais elevados, a tendência é que parte dos produtores adote estratégias mais conservadoras, reduzindo investimentos em tecnologia e insumos.
Esse movimento pode afetar diretamente a produtividade das lavouras, trazendo reflexos para toda a cadeia do agronegócio.
A escalada do conflito no Oriente Médio amplia os riscos para o mercado de fertilizantes e acende um sinal de alerta para os produtores de soja em Mato Grosso. Com forte dependência de importações e custos elevados, o setor pode enfrentar maior volatilidade de preços e desafios no planejamento da próxima safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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