Brasil importa 90% dos fertilizantes e dependência ameaça previsibilidade do agro, diz ministro
Durante o Congresso Brasileiro do Algodão, André de Paula destacou ações para agilizar desembarques nos portos e defendeu novos mercados para a pluma brasileira
Publicado em: 23/09/2026 às 18:20hs
A dependência brasileira de fertilizantes importados permanece como um dos principais entraves para o desenvolvimento do setor agrícola. A avaliação foi apresentada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula Filho, durante a abertura do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado em Belo Horizonte (MG).
Segundo o ministro, as importações respondem por aproximadamente 90% da oferta de fertilizantes no país, deixando produtores mais expostos a oscilações internacionais, dificuldades logísticas e eventuais interrupções no fornecimento.
“É um desafio depender da importação, que representa 90% da oferta”, afirmou.
Governo busca evitar congestionamentos nos portos
André de Paula informou que o Governo Federal trabalha para impedir congestionamentos nos portos durante a intensificação da entrada de fertilizantes no Brasil.
As ações têm como objetivo facilitar o desembarque dos insumos e garantir maior regularidade no abastecimento do campo. Para o ministro, a previsibilidade é essencial para que os produtores possam planejar o plantio, organizar as compras e controlar os custos da atividade.
“O produtor precisa de previsibilidade”, ressaltou.
Durante o CBA, o ministro também afirmou que a cotonicultura brasileira vem sendo tratada sob uma “visão de Estado”, em razão de sua importância econômica, produtiva e comercial.
Safra de algodão alcança 4 milhões de toneladas de pluma
Ao abordar o desempenho da cotonicultura, André de Paula destacou a capacidade dos produtores brasileiros de antecipar desafios e incorporar inovação aos sistemas produtivos.
Na safra 2025/26, o Brasil produziu 4 milhões de toneladas de algodão em pluma. O país também exportou, pela primeira vez, 3 milhões de toneladas, resultado que reforça sua posição entre os principais fornecedores globais da fibra.
Para o ministro, os números refletem o avanço tecnológico e a competitividade alcançada pelo algodão brasileiro.
“É um exemplo na habilidade de inovar”, declarou.
Brasil busca ampliar exportações de algodão
Diante do crescimento da produção, a abertura e a diversificação de mercados tornaram-se prioridades para o setor. Entre as regiões consideradas estratégicas estão Ásia, Oriente Médio e Norte da África.
O ministro ressaltou que 85% da safra brasileira de algodão segue protocolos de boas práticas produtivas. Esse diferencial pode contribuir para o acesso a compradores que exigem padrões de qualidade, rastreabilidade e responsabilidade na produção.
André de Paula citou o Egito como exemplo dos esforços necessários para ampliar a presença internacional da pluma brasileira. As negociações para abertura daquele mercado duraram 19 anos e foram concluídas em 2023.
Segundo o ministro, o acesso ao país também funciona como reconhecimento da qualidade do produto nacional, considerando a tradição e o padrão elevado da indústria têxtil egípcia.
Com produção e exportações em níveis recordes, a cotonicultura busca ampliar sua participação no comércio mundial. O avanço, entretanto, dependerá de fatores como segurança no fornecimento de insumos, eficiência logística, previsibilidade para o produtor e abertura de novos destinos comerciais.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias