Adubos e Fertilizantes

Alta dos fertilizantes impulsiona debate sobre bioinsumos no Brasil

Biofertilizantes ganham atenção como alternativa estratégica para reduzir dependência de importações


Publicado em: 25/03/2026 às 10:00hs

Alta dos fertilizantes impulsiona debate sobre bioinsumos no Brasil

O aumento global no preço dos fertilizantes reacendeu a discussão sobre o uso de bioinsumos na agricultura brasileira. Especialistas apontam que, embora ainda sejam um mercado de nicho, biofertilizantes podem reduzir a vulnerabilidade do país frente a crises geopolíticas, como a atual tensão no Oriente Médio, que elevou os custos dos insumos nitrogenados importados.

Dependência de fertilizantes importados preocupa setor agrícola

Entre 80% e 90% dos fertilizantes nitrogenados utilizados no Brasil vêm do exterior, o que torna o país vulnerável a choques internacionais. O conflito envolvendo países do Oriente Médio afetou diretamente o fornecimento e contribuiu para o aumento expressivo dos preços desde o início de março.

“O Brasil precisa diversificar suas fontes de insumos agrícolas, da mesma forma que fez na década de 1970 com a matriz energética”, afirma João Marcelo Fernandes Abbud, economista e especialista em financiamento climático do Instituto E+ Transição Energética, um dos autores do estudo Bio-inputs for agriculture in Brazil: why can’t the alternative become mainstream?.

Bioinsumos: ainda um mercado de nicho, mas em expansão

Segundo Abbud, os bioinsumos representam atualmente menos de 10% do mercado nacional de fertilizantes, embora o segmento tenha registrado crescimento superior ao dos químicos nos últimos anos. Entre os fatores que limitam a expansão estão a falta de coordenação institucional, incentivos econômicos desalinhados e a predominância histórica dos fertilizantes químicos.

O estudo aponta que, com políticas e regulamentações adequadas, a participação de bioinsumos poderia chegar a 40% a 60% do mercado, sem substituir totalmente os produtos químicos, mas funcionando como complemento estratégico.

Potencial do Brasil para liderança global

O país possui condições naturais favoráveis para expandir o uso de biofertilizantes. “Temos biodiversidade que contribui tanto para macronutrientes quanto para micronutrientes e defensivos biodegradáveis. O Brasil pode ser líder regional e até mundial nesse segmento, gerando valor agregado e potencial de exportação”, destaca Abbud.

Dados da CropLife Brasil mostram que o país utiliza quatro vezes mais bioinsumos que a média global. Atualmente, existem 953 produtos biológicos registrados, com faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2024, em comparação a R$ 81,6 bilhões dos defensivos químicos, que somam 3.234 registros ativos.

Plano Nacional de Fertilizantes tem impacto limitado

O Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022 para incentivar a produção local e reduzir dependência externa, ainda enfrenta limitações regulatórias. “As metas estão traçadas, mas faltam resoluções mais profundas para direcionar o mercado de forma clara e sustentável”, avalia Pedro Guedes, responsável técnico de bio-soluções e fertilizantes do Instituto E+.

Especialistas apontam que a expansão dos bioinsumos poderia gerar empregos, desenvolvimento local e maior segurança econômica e ambiental, tornando o setor agrícola brasileiro menos dependente de crises internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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