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Soja

USDA projeta soja do Brasil em 186 milhões de toneladas e reduz safra de trigo para 5,8 milhões

Relatório de outubro compilado pelo Itaú BBA também eleva produção e estoques de milho nos Estados Unidos; balanços globais mostram diferenças entre revisões mensais e comparação com a safra anterior.


Publicado em: 15/10/2026 às 17:00hs

USDA projeta soja do Brasil em 186 milhões de toneladas e reduz safra de trigo para 5,8 milhões

O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mantém a produção brasileira de soja em 186 milhões de toneladas na temporada 2026/27 e reduz a estimativa para o trigo nacional de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas. Os dados estão reunidos no Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA, que apresenta os balanços de oferta e demanda do WASDE para soja, milho, trigo e algodão.

Entre as principais mudanças em relação a setembro, o levantamento aponta aumento da produção e dos estoques de soja e milho nos Estados Unidos. No trigo, houve revisão para cima do consumo mundial e redução das exportações russas. Para o algodão, as estimativas de produção americana e de estoques globais também aumentaram.

As revisões mensais, entretanto, precisam ser diferenciadas da comparação entre temporadas. No milho, por exemplo, os estoques mundiais foram elevados frente a setembro, mas permanecem abaixo do volume estimado para 2025/26.

Soja: Brasil mantém produção de 186 milhões de toneladas

A projeção para a soja brasileira ficou inalterada em relação ao relatório anterior. O volume de 186 milhões de toneladas representa crescimento de 3% sobre os 180,5 milhões estimados para 2025/26.

O balanço considera 50 milhões de hectares colhidos, exportações de 118 milhões de toneladas e esmagamento de 65 milhões de toneladas. O consumo doméstico total está previsto em 69,6 milhões de toneladas.

Os estoques finais brasileiros passaram de 36,9 milhões para 37,3 milhões de toneladas na revisão mensal. Apesar do ajuste positivo, permanecem abaixo dos 37,9 milhões estimados para a temporada anterior.

Nos Estados Unidos, a produção de soja foi elevada de 123,4 milhões para 124,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais passaram de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas.

A demanda chinesa segue como referência importante para o comércio internacional: a previsão de importações do país foi mantida em 115 milhões de toneladas.

Milho: produção americana sobe e estoques recebem revisão positiva

O USDA elevou a estimativa de produção de milho dos Estados Unidos de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas. Os estoques finais americanos tiveram ajuste mais expressivo, passando de 39,8 milhões para 47 milhões de toneladas.

Mesmo após a revisão, a produção dos Estados Unidos permanece abaixo dos 430,9 milhões de toneladas estimados para 2025/26. O estoque final também é inferior aos 53,2 milhões previstos para aquela temporada.

No balanço mundial, os estoques finais foram elevados de aproximadamente 272 milhões para 280 milhões de toneladas. Na comparação anual, porém, o volume representa redução de cerca de 9%.

A produção global está projetada em aproximadamente 1,294 bilhão de toneladas, abaixo do consumo de 1,313 bilhão. A relação entre estoques e consumo recua de aproximadamente 24% para 21%.

Brasil deve produzir 139 milhões de toneladas de milho

Para o Brasil, a produção de milho foi mantida em 139 milhões de toneladas, ante 141 milhões na temporada anterior.

As exportações estão previstas em 43 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico deve alcançar 102 milhões de toneladas. Desse total, 37 milhões são destinados ao uso industrial e 65 milhões à alimentação animal.

O uso industrial cresce 10,4% em relação a 2025/26, conforme os percentuais apresentados no relatório. Os estoques finais brasileiros permanecem estimados em 10,6 milhões de toneladas, abaixo dos 14,8 milhões da temporada anterior.

Trigo: safra brasileira é reduzida e importações ficam em 7,5 milhões de toneladas

A produção brasileira de trigo foi revisada de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas, queda mensal de 3,3%. Em relação à temporada anterior, o relatório aponta redução de 26,3%.

A previsão de importações foi mantida em 7,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico está estimado em 12,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais passaram de 2 milhões para 1,8 milhão de toneladas. Com isso, a relação entre estoques e consumo diminuiu de 14,2%, na estimativa de setembro, para 12,8%.

No cenário internacional, o consumo de trigo foi elevado de aproximadamente 822 milhões para 824 milhões de toneladas. A produção da União Europeia caiu para 133 milhões de toneladas, e as exportações russas foram reduzidas de 43 milhões para 40 milhões de toneladas.

Algodão: produção e exportações brasileiras são revisadas para cima

O balanço do algodão aponta produção brasileira de aproximadamente 4,1 milhões de toneladas, frente aos 4 milhões apresentados em setembro. As exportações passaram de 3,4 milhões para 3,5 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a produção foi elevada de 2,87 milhões para 2,93 milhões de toneladas, e os estoques finais aumentaram de 780 mil para 830 mil toneladas.

Os estoques mundiais também receberam revisão positiva, de 15,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas. Ainda assim, ficam cerca de 7% abaixo da temporada anterior.

A produção global está estimada em 25,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo alcança 26,8 milhões. A relação entre estoques e consumo recua de aproximadamente 63% para 57%, indicando menor disponibilidade relativa da fibra na comparação entre safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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