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USDA eleva projeções globais de soja e pressiona preços no Brasil: safra cheia no país e estoques maiores nos EUA ampliam oferta mundial

Relatório do USDA traz números baixistas e reforça pressão nas cotações domésticas


Publicado em: 16/01/2026 às 14:00hs

USDA eleva projeções globais de soja e pressiona preços no Brasil: safra cheia no país e estoques maiores nos EUA ampliam oferta mundial
Foto: CNA

O relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado nesta semana, trouxe dados considerados baixistas para o mercado global de soja. As novas projeções indicam estoques e produção acima do esperado, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, o que resultou em pressão sobre as cotações internas e em um ritmo mais lento de comercialização no mercado brasileiro neste início de 2026.

Produção e estoques norte-americanos superam expectativas

De acordo com o USDA, a safra de soja dos EUA em 2025/26 deve atingir 4,262 bilhões de bushels, o equivalente a 116 milhões de toneladas, ligeiramente acima da projeção de dezembro (4,253 bilhões de bushels). A produtividade média foi mantida em 53 bushels por acre, confirmando o bom desempenho das lavouras.

Os estoques finais também foram revisados para cima, passando de 290 milhões para 350 milhões de bushels — ou 9,53 milhões de toneladas. O mercado esperava um número menor, de cerca de 301 milhões de bushels. Esse aumento indica maior disponibilidade interna e reforça a pressão sobre os preços internacionais.

As exportações norte-americanas foram ajustadas para 1,575 bilhão de bushels, enquanto o esmagamento está estimado em 2,570 bilhões de bushels, sinalizando estabilidade no consumo interno, mas menor ritmo de embarques, especialmente para a China.

Brasil e Argentina mantêm protagonismo na produção sul-americana

O relatório também revisou para cima a estimativa de produção de soja no Brasil, que agora deve alcançar 178 milhões de toneladas em 2025/26, ante 175 milhões no levantamento anterior. Para a temporada 2024/25, a projeção foi mantida em 171,5 milhões de toneladas.

O bom desempenho climático nas principais regiões produtoras brasileiras e o início da colheita com produtividade dentro do esperado sustentam o otimismo sobre a oferta. O cenário reforça a entrada de uma safra cheia no mercado global, contribuindo para o aumento da disponibilidade e, consequentemente, para a manutenção da pressão nos preços domésticos.

Na Argentina, a produção foi mantida em 48,5 milhões de toneladas para 2025/26, enquanto o ciclo 2024/25 deve registrar 51,11 milhões de toneladas, sem alterações.

China mantém ritmo de importações estável

O USDA também projetou as importações de soja pela China em 112 milhões de toneladas para 2025/26 e 108 milhões de toneladas para 2024/25, repetindo as estimativas anteriores. Apesar do acordo comercial entre Pequim e Washington firmado no final de outubro, o ritmo de compras do país asiático segue moderado, o que adiciona incerteza à demanda global.

Oferta global elevada e estoques mundiais em alta

A produção mundial de soja foi estimada em 425,68 milhões de toneladas para 2025/26, com estoques finais projetados em 124,41 milhões de toneladas, acima da expectativa de mercado (123,1 milhões). Para a safra 2024/25, os números foram mantidos em 427,15 milhões de toneladas de produção e 123,4 milhões de toneladas de estoques.

Nos Estados Unidos, os estoques trimestrais de soja em grão, em 1º de dezembro, ficaram em 3,29 bilhões de bushels, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo da previsão do mercado, o volume ainda reforça a tendência de oferta global robusta.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Com o avanço da colheita e as condições favoráveis às lavouras, o Brasil tende a consolidar uma safra recorde, o que deve ampliar a competição no mercado internacional. A combinação de estoques elevados nos EUA e alta oferta sul-americana cria um ambiente de preços mais contidos para os produtores brasileiros no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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