Publicado em: 23/03/2018 às 10:10hs
Com as possibilidades de um agravamento na guerra comercial entre EUA e China, os preços da soja voltam a trabalhar com baixas intensas na Bolsa de Chicago na manhã desta sexta-feira (23). Os futuros da oleaginosa perdiam, por volta de 7h50 (horário de Brasília), entre 13 e 16,50 pontos, levando o maio/18 de volta aos US$ 10,13 por bushel. O julho e o agosto já operavam abaixo dos US$ 10,30 e o setembro, dos US$ 10,20.
"Os traders estão muito nervosos diante de qualquer chance de uma efetiva guerra comercial", disse o analista de mercado da First Choice Commodities, Mike Mawdsley.
As reações entre as cotações da soja são ainda mais intensas, além dos demais produtos, uma vez que a commodity é um dos principais itens da lista de retaliação da China contra os EUA. Entretanto, as especulações sobre a utilização da oleaginosa para retaliar continuam, já que o mercado tem consciência da necessidade da nação asiática de seguir importando algum volume do produto americano diante da força de sua demanda.
"Se a China fosse capaz de comprar tudo do Brasil - o que não seria possível e ainda empurraria outros compradores para os Estados Unidos - e comprar mais 7 ou 8 milhões de toneladas de outra origem sul-americana, ainda assim eles precisariam comprar mais de 20 milhões de toneladas para alcançar sua meta de 100 milhões de toneladas previstas para esta temporada", diz a Benson Quinn Commodities.
Pressionam as cotações em Chicago ainda as perspectivas de uma área recorde semeada com soja nos Estados Unidos neste ano. Ontem, a consultoria internacional Informa Economics elevou sua projeção para a área americana de 91,197 para 91,5 milhões de acres. A pesquisa da Allendale trouxe, na última semana, mais de 92 milhões.
Na próxima semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu primeiro boletim com projeções oficiais para o plantio da safra 2018/19.
Ainda nesta sexta, atenção aos novos números de vendas para exportação que o USDA divulga em seu reporte semanal. As expectativas do mercado variam de 700 mil a 1,4 milhão de toneladas.
Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:
Soja: Com dólar no melhor patamar do ano, Paranaguá recupera patamar dos R$ 80 por saca nesta 5ª feira
Os preços da soja voltaram a esboçar alguma recuperação no mercado brasileiro nesta quinta-feira (22) depois que, apesar da estabilidade de Chicago, o dólar registrou uma alta de mais de 1% e fechou com sua maior cotação do ano. A divisa terminou o dia com R$ 3,3099 nesta sessão, depois de bater em R$ 3,3107 na máxima do dia.
"O mercado está operando com cautela... com a guerra comercial, STF e menor diferencial de juros após a decisão (do BC)", explicou o operador da corretora Spinelli, José Carlos Amado à agência de notícias Reuters.
Dessa forma, a soja com indicativo maio/18 subiu 1,65% nesta quinta-feira (22) para voltar aos R$ 80,00 por saca. A mesma referência pôde ser observada no terminal de Imbituba/SC. Em Rio Grande, por outro lado, tanto a soja disponível quanto a futura tiveram uma leve baixa de 0,64% para R$ 77,50 e R$ 78,00 por saca, respectivamente.
No interior, os preços também subiram e chegaram a marcar altas de até 1,61%, como foi o caso de Tangará da Serra, em Mato Grosso, com a saca terminando os negócios em R$ 67,20 por saca.
Bolsa de Chicago
No mercado internacional, o dia terminou como começou: estável. As cotações dos principais vencimentos fecharam o pregão com pequenos ganhos de 0,25 a 0,75 ponto, com o maio/18 - que é o mais negociado neste momento - sem variação e valendo US$ 10,29 por bushel.
Segundo o consultor de mercado da Terra Agronegócios, Ênio Fernandes, até que o mercado receba dois importantes boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na próxima semana, deverá seguir atuando entre os US$ 10,20 e US$ 10,40.
Nesse momento, a movimentação limitada das cotações, segundo analistas internacionais, se dá com algumas incertezas que ainda pesam sobre os negócios.
"O mercado está sendo atingido por uma incerteza sobre os reais impactos das recentes chuvas que chegaram tarde às lavouras Argentinas e os novos desdobramentos da guerra comercial entre Brasil e China. Quanto tempo os chineses irão esperar para retaliar?", diz o boletim diário da consultoria internacional Allendale, Inc.
Ademais, em uma semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz dois novos boletins que podem mexer com o andamento dos preços, principalmente o que traz as primeiras intenções de plantio da nova safra americana. Os demais dados serão referentes aos estoques trimestrais americanos.
E o boletim semanal de vendas para exportação que seria reportado pelo USDA nesta quinta-feira foi adiado para esta sexta-feira (23). Os números exigem atenção, uma vez que ainda mostram um ritmo mais lento da comercialização americana nesta temporada. As expectativas do mercado para as vendas da última semana variam entre 700 mil e 1,4 milhão de toneladas.
Fonte: Notícias Agrícolas
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