Publicado em: 22/01/2016 às 11:00hs
As exportações de 2015 foram bastante positivas, bem como o consumo interno, o que fez com que 2016 começasse com baixos estoques, uma demanda ainda forte e uma taxa de câmbio favorável. Nos principais portos de exportação, as cotações do produto disponível superam há alguns dias os R$ 80,00 e, na segunda-feira (18/01), chegou, ao longo do dia, a registrar uma referência de R$ 86,00 por saca, com alta de 0,94% em relação ao fechamento da última sexta-feira (15/01). Já o mercado a futuro tinha como referência os mesmos R$ 82,50.
Competitivos - Em alguns casos, os valores praticados no interior do país chegam até mesmo a ser mais competitivos do que patamares da exportação. "Para o produto pronto, os preços no interior estão acima da paridade. Já para a disponibilização na próxima semana, por exemplo, os preços caem entre R$ 1,00 e R$ 2,00", explica Camilo Motter, analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais.
Sustentação - Nesta segunda, o mercado brasileiro trabalhou sem a referência da Bolsa de Chicago, que não operou em decorrência do feriado de Martin Luther King nos EUA, deixando o mercado ainda mais travado. Ainda assim, porém, os valores continuaram mostrando alguma sustentação. Afinal, já é possível constatar o descolamento do mercado nacional do internacional.
Baixo - "Temos um estoque de passagem no Brasil, em 31 de dezembro do ano passado, de apenas 127 mil toneladas de soja. Com uma produção de 97 milhões, um consumo doméstico de 40,4 milhões, 3 milhões para semente e exportações de 54 milhões, teríamos um estoque negativo, em torno de 400 mil toneladas", explica Marcos Araújo, analista da Agrinvest Commodities.
Incertezas - Além disso, as vendas antecipadas da soja da safra 2015/16 foram bastante elevadas, o que traz ainda mais preocupação e, por parte dos produtores, cautela. As perdas registradas nesta temporada ainda estão sendo contabilizadas, a produtividade é incerta e faz que os produtores busquem não se comprometer com novos negócios. O quadro, portanto, que já começa a sentir ainda um atraso na colheita agora por conta do excesso de chuvas, já começa a gerar uma disputa tanto pela pouquíssima oferta da safra 2014/15, quanto pela atrasada soja da 2015/16.
Tripé - Ao lado dessa ajustada relação oferta x demanda e do dólar ainda acima dos R$ 4,00 servindo como boa referência para as cotações, os prêmios positivos, e com tendência de se fortalecerem ainda mais, completam o forte tripé de formação das cotações da soja brasileira neste momento. "Eu acredito em um fortalecimento dos basis (prêmios), que já vem acontecendo. Hoje, os valores para as posições abril e maio têm de 20 a 25 cents de dólar acima dos valores de Chicago. E a partir do segundo semestre, isso deve acontecer mais intensamente", explica o analista da Agrinvest.
Aumento - Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, também nesta segunda, as exportações brasileiras de soja nos primeiros 10 dias úteis de janeiro já somam 137,1 mil toneladas. O volume é 237,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2015, quando as vendas externas somaram 85,3 mil toneladas. Em receita, o total gerado nestas duas primeiras semanas é de R$ 50,3 milhões, contra R$ 35,1 milhões o mesmo intervalo do ano passado.
Fonte: VS Comunicações
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