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Soja sobe na Bolsa de Chicago, mercado físico reage no Brasil e produtores seguem atentos ao crédito rural

Alta dos contratos futuros foi impulsionada pelo clima nos Estados Unidos e expectativas de demanda externa, enquanto preços no mercado brasileiro oscilaram entre estabilidade e ganhos pontuais em diferentes estados.


Publicado em: 02/07/2026 às 11:30hs

Soja sobe na Bolsa de Chicago, mercado físico reage no Brasil e produtores seguem atentos ao crédito rural
Foto: CNA

O mercado da soja encerrou a quarta-feira (1º) com valorização na Bolsa de Chicago, refletindo preocupações com as condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, rumores de aumento da demanda internacional e ajustes técnicos antes do feriado da independência norte-americana. No Brasil, o mercado físico apresentou comportamento regionalizado, com estabilidade predominante e altas pontuais em algumas praças.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o contrato da soja para julho avançou 0,85%, encerrando cotado a US$ 11,2625 por bushel. O vencimento de agosto subiu 0,80%, para US$ 11,3325 por bushel. Entre os derivados, o farelo de soja registrou alta de 0,46%, enquanto o óleo de soja recuou 0,36%.

A valorização internacional foi sustentada pela expectativa de que as altas temperaturas possam afetar o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, além da possibilidade de novas compras por parte de importadores, fatores que mantiveram os investidores cautelosos.

Mercado físico registra estabilidade e altas localizadas

No mercado brasileiro, os negócios continuaram ocorrendo de forma moderada, com preços variando conforme a região e a disponibilidade de produto.

No Rio Grande do Sul, a cotação no porto de Rio Grande permaneceu em R$ 135 por saca. O estado concluiu a colheita da safra com produtividade média de 2.707 quilos por hectare, resultado cerca de 14,8% inferior à estimativa inicial. Apesar das perdas produtivas, as exportações brasileiras de soja já superam 72,7 milhões de toneladas em 2026.

Em Santa Catarina, os preços apresentaram valorização. Rio do Sul registrou alta de 0,85%, chegando a R$ 119 por saca, enquanto São Francisco do Sul alcançou R$ 131.

No Paraná, as cotações oscilaram entre estabilidade e pequenas variações positivas. No porto de Paranaguá, a soja foi negociada entre R$ 134 e R$ 135 por saca. A produção estadual atingiu 21,778 milhões de toneladas, mas o avanço da colheita do milho safrinha aumenta a pressão sobre a capacidade de armazenagem. O frete entre Cascavel e Paranaguá também continua em alta, acumulando valorização de aproximadamente 18% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul acompanham cenário misto

Em Mato Grosso do Sul, o mercado permaneceu praticamente estável, com leves recuos em algumas regiões. Em Dourados, a soja foi negociada a R$ 113,50 por saca.

O estado também atualizou as regras do vazio sanitário da soja, determinando que não poderá haver manutenção, emergência ou germinação de plantas voluntárias antes de 15 de setembro, medida que busca reforçar o controle da ferrugem asiática nas lavouras.

Já em Mato Grosso, as cotações apresentaram comportamento misto, enquanto a colheita do milho segunda safra alcançou 20,86% da área cultivada.

Além disso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta redução de 5,2% na produção de soja da safra 2026/27, estimada em 48,88 milhões de toneladas, indicando um cenário de maior atenção para o planejamento da próxima temporada.

Crédito rural preocupa produtores

Além das oscilações de mercado, produtores de diferentes estados continuam demonstrando preocupação com o Plano Safra 2026/27.

Entre as principais críticas estão a menor disponibilidade efetiva de crédito, o aumento das taxas de juros e a redução dos recursos destinados ao custeio e aos investimentos, fatores que, segundo representantes do setor, podem limitar a capacidade de investimento das propriedades rurais e comprometer a competitividade da produção brasileira.

Mesmo diante dessas preocupações, o mercado permanece atento ao comportamento do clima nos Estados Unidos, à evolução da demanda internacional e ao ritmo das exportações brasileiras, fatores que deverão continuar determinando a formação dos preços da soja nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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