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Soja sobe em Chicago, volta aos US$ 12 por bushel e impulsiona preços no Brasil em meio a clima adverso nos EUA e demanda da China

Clima seco no Corn Belt, retomada das compras chinesas e desafios logísticos no Brasil sustentam valorização da soja no mercado internacional e fortalecem cotações nos portos brasileiros


Publicado em: 08/07/2026 às 10:50hs

Soja sobe em Chicago, volta aos US$ 12 por bushel e impulsiona preços no Brasil em meio a clima adverso nos EUA e demanda da China
Foto: CNA

A soja voltou a ganhar força no mercado internacional e opera em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionada pela combinação de preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e pelo fortalecimento da demanda chinesa. O movimento recolocou os principais contratos acima da marca de US$ 12,00 por bushel, patamar que não era observado nas últimas sete semanas.

Os ganhos registrados na CBOT também repercutem diretamente no mercado brasileiro, onde as cotações seguem firmes nos portos e em diversas regiões produtoras. No entanto, limitações logísticas, custos elevados de frete e problemas de armazenagem ainda restringem um avanço mais consistente das negociações.

Clima nos Estados Unidos aumenta preocupação com a safra de soja

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo o cenário climático nos Estados Unidos. As previsões meteorológicas indicam a permanência de um padrão de tempo quente e seco em importantes áreas do Corn Belt durante a segunda quinzena de julho, justamente no período mais sensível para a definição do potencial produtivo da soja.

O mercado também reagiu ao relatório semanal de acompanhamento das lavouras divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu de 66% para 64% o percentual das áreas classificadas entre boas e excelentes.

Embora a redução tenha sido modesta, analistas avaliam que os efeitos mais severos do estresse hídrico ainda podem aparecer nas próximas semanas, especialmente após os dias 10 e 11 de julho, caso as previsões de calor intenso se confirmem.

Esse cenário levou investidores a reforçarem posições compradas, elevando os preços dos contratos futuros na Bolsa de Chicago.

Retomada das compras chinesas fortalece mercado internacional

Outro importante fator de sustentação veio do lado da demanda.

Rumores que circulavam no mercado acabaram sendo reforçados por confirmações de compras realizadas pela COFCO, que adquiriu pelo menos 300 mil toneladas de soja norte-americana para embarques entre setembro e novembro.

A volta da China ao mercado dos Estados Unidos representa um importante suporte para as cotações, já que o país permanece como o maior importador mundial da oleaginosa.

Além disso, o USDA confirmou novas vendas de farelo de soja para a Colômbia, reforçando o ambiente positivo para o complexo soja.

Como reflexo desse cenário, o contrato julho encerrou o pregão anterior com alta de 1,23%, cotado a US$ 11,9675 por bushel, enquanto o vencimento agosto avançou 0,82%, para US$ 11,9375. O farelo e o óleo de soja também registraram valorização superior a 1%.

Mercado brasileiro acompanha Chicago, mas enfrenta gargalos logísticos

No Brasil, os preços acompanharam a valorização internacional.

Nos portos, as indicações voltaram a superar R$ 137,00 por saca, chegando a aproximadamente R$ 139,50 em Paranaguá em algumas posições. Em Rio Grande (RS), as referências permaneceram próximas de R$ 139,00 por saca, sustentadas pelo desempenho positivo da CBOT e pelo comportamento do câmbio.

Apesar do ambiente favorável, o ritmo dos negócios segue moderado em muitas regiões. Os prêmios de exportação limitam parte da alta e os produtores continuam adotando postura cautelosa nas vendas, avaliando o comportamento do mercado internacional.

Armazenagem e fretes seguem como principais desafios

Segundo análise da TF Agroeconômica, além do cenário externo favorável, fatores internos continuam influenciando diretamente a formação dos preços.

Os elevados custos de transporte, impulsionados pelo avanço do diesel, pressionam a logística em praticamente todas as regiões produtoras.

Outro ponto de atenção é a capacidade de armazenagem. A safra recorde de grãos aumenta a necessidade de escoamento, reduzindo o poder de retenção dos produtores.

No Paraná, a comercialização apresentou maior movimentação tanto no interior quanto nos portos, favorecida pela valorização internacional.

No Rio Grande do Sul, os preços permaneceram firmes, embora os negócios avancem de forma gradual.

Em Santa Catarina, os produtores seguem administrando estoques enquanto concentram esforços nas culturas de inverno.

Já em Mato Grosso do Sul, o déficit de capacidade estática superior a 12,4 milhões de toneladas limita estratégias de comercialização, enquanto em Mato Grosso o elevado volume de exportações e de esmagamento reforça a liderança nacional do estado, apesar das dificuldades logísticas e dos altos custos de frete.

Mercado segue atento ao clima e à demanda global

A expectativa dos agentes permanece concentrada na evolução das condições climáticas nos Estados Unidos e no comportamento das compras chinesas nas próximas semanas.

Caso o clima adverso reduza o potencial produtivo da safra norte-americana e a demanda internacional continue aquecida, a tendência é de manutenção da volatilidade, com possibilidade de novas altas nas cotações internacionais.

No Brasil, o mercado também acompanhará a evolução dos prêmios de exportação, do câmbio e da logística de escoamento da safra, fatores que continuarão determinando a intensidade do repasse das altas de Chicago para os preços pagos aos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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