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Soja

Soja sobe em Chicago, mas realiza lucros; demanda chinesa, clima nos EUA e pressão sobre silos no Brasil movimentam mercado

Após superar US$ 12 por bushel, contratos da soja recuam em movimento de realização de lucros, enquanto clima no Meio-Oeste americano, compras da China e déficit de armazenagem no Brasil seguem no radar dos produtores e investidores.


Publicado em: 14/07/2026 às 11:40hs

Soja sobe em Chicago, mas realiza lucros; demanda chinesa, clima nos EUA e pressão sobre silos no Brasil movimentam mercado

O mercado internacional da soja segue altamente volátil nesta terça-feira (14), refletindo uma combinação de fatores climáticos, fundamentos de oferta e demanda e questões logísticas tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Depois de alcançar o maior patamar em quase dois meses e voltar a negociar acima de US$ 12,00 por bushel, os contratos futuros passaram por um movimento técnico de realização de lucros na Bolsa de Chicago (CBOT).

Na sessão anterior, o contrato para julho encerrou o dia em alta de 0,46%, cotado a US$ 12,02 por bushel, enquanto o vencimento de agosto avançou 0,42%, para US$ 11,9675. Já nesta terça-feira, por volta das 7h25 (horário de Brasília), os principais vencimentos registravam perdas entre 3,75 e 5,25 pontos, com o contrato de novembro negociado próximo de US$ 11,89 por bushel.

Apesar da correção técnica, os fundamentos continuam oferecendo sustentação ao mercado.

Clima nos Estados Unidos segue como principal fator de atenção

O clima permanece como o principal direcionador das cotações internacionais da soja. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenha divulgado melhora marginal na qualidade das lavouras, o mercado mantém atenção às previsões para o Meio-Oeste americano.

O relatório semanal mostrou que 65% das lavouras estão classificadas entre boas e excelentes, um ponto percentual acima da semana anterior. Além disso, cerca de 50% das áreas já estão em fase de florescimento, enquanto 19% iniciaram a formação das vagens.

Mesmo com a melhora nos indicadores, analistas destacam que a janela mais sensível para definição do potencial produtivo ocorre durante o mês de agosto. A persistência de temperaturas elevadas e períodos de seca poderá provocar impactos relevantes sobre a produtividade da safra norte-americana.

Compras da China continuam dando suporte às cotações

Outro fator positivo para o mercado foi a confirmação, pelo USDA, da venda de 136 mil toneladas de soja da safra 2026/27 para a China.

Embora parte dos operadores considere as negociações influenciadas pelo atual contexto geopolítico entre Washington e Pequim, o fluxo de exportações reforça a demanda internacional e ajuda a limitar movimentos mais intensos de baixa nas cotações.

Petróleo fortalece óleo de soja

O complexo soja também recebeu apoio do mercado de energia.

O óleo de soja acumulou valorização superior a 3% na sessão anterior, impulsionado pela alta do petróleo, que permaneceu próximo de US$ 83 por barril, refletindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Nesta terça-feira, o óleo opera praticamente estável, enquanto o farelo de soja amplia as perdas observadas na sessão anterior.

Mercado brasileiro enfrenta pressão logística com avanço da safrinha

No Brasil, além das oscilações internacionais, cresce a preocupação com a capacidade de armazenagem nas principais regiões produtoras.

O avanço da colheita do milho safrinha e a chegada das culturas de inverno intensificam a disputa por espaço nos silos, acelerando a comercialização da soja remanescente e aumentando os desafios logísticos para produtores e cooperativas.

No Rio Grande do Sul, as cotações permanecem firmes, favorecidas pela valorização do dólar, que incentiva novos negócios.

Em Santa Catarina, cooperativas também registram preços mais elevados, mas o limite da capacidade de armazenagem continua sendo um fator de preocupação.

No Paraná, o fortalecimento dos indicadores estaduais ocorre paralelamente ao avanço da segunda safra de milho, ampliando a pressão sobre os armazéns.

Em Mato Grosso do Sul, o déficit de capacidade de armazenagem superior a 12,4 milhões de toneladas reduz a possibilidade de retenção da produção pelos agricultores, favorecendo vendas antecipadas.

Já em Mato Grosso, maior produtor nacional, a expectativa de uma safrinha recorde de aproximadamente 57,06 milhões de toneladas de milho intensifica a competição por espaço entre os estoques de soja e a nova produção, acelerando o ritmo de escoamento.

Mercado segue atento aos próximos movimentos

Os próximos dias deverão ser decisivos para o comportamento das cotações da soja.

O mercado continuará monitorando a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos, especialmente durante o desenvolvimento das lavouras, além do ritmo das exportações americanas para a China, das oscilações do petróleo, do comportamento do dólar e da capacidade logística brasileira.

Enquanto os fundamentos permanecem favoráveis, analistas avaliam que a volatilidade deverá continuar elevada, mantendo produtores, exportadores e investidores atentos às oportunidades de comercialização em um cenário marcado pela combinação de fatores climáticos, demanda internacional e gargalos de armazenagem no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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