Soja sobe em Chicago, mas câmbio e baixa liquidez limitam reação dos preços no Brasil
Valorização do trigo sustenta contratos nesta segunda-feira; mercado brasileiro acompanha o dólar, o avanço do plantio e a pressão da colheita nos Estados Unidos
Publicado em: 05/10/2026 às 11:20hs
A soja iniciou esta segunda-feira (5) em alta na Bolsa de Chicago, após os recuos registrados nos últimos dias, mas o mercado brasileiro segue com negociações pontuais e compradores pouco agressivos. Enquanto a valorização do trigo oferece suporte aos contratos internacionais, o câmbio e o avanço da colheita nos Estados Unidos permanecem no centro das decisões de comercialização.
No Brasil, produtores concentram esforços no plantio da safra 2026/27 e aguardam condições mais favoráveis para negociar. Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da TF Agroeconômica, a baixa liquidez acompanha um cenário de pressão externa, embora os prêmios de exportação tenham ajudado a limitar os recuos domésticos.
Soja avança em Chicago com suporte do trigo
Por volta das 8h56, no horário de Brasília, os principais contratos da soja registravam ganhos entre 10,00 e 10,25 pontos em Chicago.
O vencimento novembro de 2026 era negociado a US$ 12,88 por bushel, enquanto janeiro de 2027 alcançava US$ 13,04. Os contratos março e maio de 2027 estavam cotados, respectivamente, a US$ 13,15 e US$ 13,24 por bushel.
Segundo Eduardo Vanin, analista da Agrinvest Commodities, o movimento acompanhava a alta do trigo, sustentada pela continuidade dos problemas nos corredores de exportação do Leste Europeu e pelas tensões relacionadas à guerra na região.
A recuperação desta manhã sucede um período de queda. De acordo com o Cepea, as cotações do complexo soja perderam força nos últimos dias, depois da valorização expressiva observada em setembro, diante do avanço da colheita da safra 2026/27 no Hemisfério Norte.
Câmbio e prêmios de exportação influenciam preços brasileiros
Além de Chicago, o mercado nacional acompanha o comportamento do dólar após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4).
Na avaliação de Vanin, uma eventual valorização do real frente à moeda norte-americana pode pressionar os preços da soja nos portos brasileiros. O analista também destacou que produtores aproveitaram os momentos recentes de valorização para avançar na comercialização.
Segundo o Cepea, a liquidez no mercado spot diminuiu diante da forte desvalorização externa, após as tarifas sobre a soja ficarem fora das negociações entre Estados Unidos e China.
Por outro lado, a queda internacional sustentou os prêmios de exportação no Brasil, reduzindo a intensidade do repasse das perdas de Chicago às cotações domésticas.
Mercado físico tem vendas pontuais e pequenas oscilações
O levantamento da TF Agroeconômica indica que a pressão externa não desencadeou uma oferta generalizada de soja. Predominam negócios pontuais para custeio, enquanto agricultores aguardam melhores oportunidades e compradores mantêm postura cautelosa.
No Rio Grande do Sul, as referências apresentaram quedas moderadas. A saca foi cotada a R$ 161,50 em Rio Grande e a R$ 153,00 em Passo Fundo e Santa Rosa. O início da semeadura direciona recursos para as atividades no campo, onde há umidade suficiente, embora as chuvas possam dificultar as operações.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul manteve a cotação de R$ 161,00 por saca, em um mercado de comercialização restrita. A previsão de chuvas frequentes em outubro amplia a atenção às condições de implantação da safra.
No Paraná, a referência foi de R$ 159,50 em Paranaguá e de R$ 148,20 em Cascavel. Em Mato Grosso do Sul, Dourados registrou estabilidade, a R$ 145,50, enquanto Rondonópolis, em Mato Grosso, apresentou cotação de R$ 146,45.
Plantio da soja avança, mas chuvas e atraso em Mato Grosso exigem atenção
No Paraná, aproximadamente 28% da área prevista já havia sido semeada, com maior avanço no Oeste. A previsão de chuvas entre 70 e 150 milímetros, com acumulados superiores em algumas regiões, pode provocar interrupções temporárias nos trabalhos.
Em Mato Grosso do Sul, o plantio alcançou 5,1% da área, equivalente a 248,6 mil hectares. As operações estão mais adiantadas no Sul e no Centro do estado, enquanto a região Norte permanece abaixo de 1%.
Mato Grosso atingiu 10,23% da área plantada, após avanço semanal de 6,36 pontos percentuais. Apesar da aceleração, o ritmo permanece 4,79 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes, mantendo a preocupação com a janela de implantação do milho segunda safra.
TF Agroeconômica orienta vendas escalonadas e proteção de margens
Diante da pressão de curto prazo e das incertezas sobre novas compras chinesas, a TF Agroeconômica recomenda aos produtores comercializar parte da soja disponível quando os preços forem satisfatórios e proteger outra parcela por meio de operações de hedge.
A orientação é preservar um volume menor exposto a possíveis altas, evitando concentrar as decisões na expectativa de recuperação da demanda chinesa.
Para cooperativas, a consultoria indica vendas escalonadas antes da colheita, contratos a termo e proteção em Chicago para posições maiores. Também destaca a necessidade de acompanhar diariamente os prêmios e o câmbio, distinguindo as operações com soja disponível daquelas referentes à produção futura.
No caso dos cerealistas, a prioridade sugerida é o giro dos estoques com controle das margens. Segundo a análise, compras físicas baseadas apenas na expectativa de valorização imediata envolvem maior risco, o que reforça a importância de combinar aquisições com vendas futuras ou hedge.
Indústrias acompanham custos do grão, do farelo e do óleo
Para as esmagadoras, os recuos podem abrir oportunidades de compras graduais, desde que sejam observadas as margens do óleo e do farelo de soja.
Nas fábricas de ração, a TF Agroeconômica orienta recompor estoques de farelo durante as quedas, sem excessos, acompanhando também a relação de preços com o milho.
Já no biodiesel, a avaliação deve considerar o custo do óleo de soja, o câmbio, as margens industriais e a competitividade de outras matérias-primas. A estratégia defendida pela consultoria é assegurar parte dos resultados nas condições atuais e manter alguma exposição a uma eventual recuperação do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias