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Soja retoma negócios pós feriado em Chicago com fôlego e trabalha com boas altas nesta 2ª feira

Os principais vencimentos, por volta de 7h50 (horário de Brasília), subiam entre 10,75 e 13 pontos, com o maio/18 sendo negociado a US$ 10,57 por bushel


Publicado em: 02/04/2018 às 10:17hs

Soja retoma negócios pós feriado em Chicago com fôlego e trabalha com boas altas nesta 2ª feira

Os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago voltaram do feriado da Páscoa com a mesma força com a qual terminaram a última semana e exibem boas altas na manhã desta segunda-feira (2). Graficamente, com o fechamento forte para março, o começo de um novo mês traz melhores expectativas neste início de abril.

Os principais vencimentos, por volta de 7h50 (horário de Brasília), subiam entre 10,75 e 13 pontos, com o maio/18 sendo negociado a US$ 10,57 por bushel.

Segundo explicam analistas da Allendale, Inc., o mercado ainda reage aos surpreendentes números de área que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxeram na última quinta-feira (29), ficando abaixo de todas as expectativas e também menores do que os da semana anterior.

Ainda de acordo com os especialistas internacionais, os traders deverão voltar suas atenções, portanto, cada vez mais à questão climática no Meio-Oeste americano, que será um dos principais direcionadores das cotações a partir de agora.

"O clima no Meio-Oeste americano continua como uma preocupação para os trabalhos de campo, que não devem avançara muito bem nestas próximas duas semanas. Algum progresso é esperado, mas o ritmo ainda deverá permanecer mais lento do que o normal", diz a Allendale.

No entanto, afirmam ainda que "os participantes do mercado estão se questionando se os produtores americanos deixarão de plantar soja quando virem a cultura exibindo bons preços e boas chances de renda", diz o boletim diário da consultoria.

Ainda no radar dos traders, segue também a guerra comercial entre China e Estados Unidos e o aumento da tensão entre os dois países dos últimos dias. Em retaliação às tarifas do presidente Donald Trump, a China impôs uma taxa de 25% sobre a carne suína americana. E a soja segue com um outro possível alvo.

De acordo com informações da Reuters internacional, "a China ainda está considerando cortes nas importações de soja dos EUA contra as tarifas impostas por Washington, conforme disse o diretor da Ásia do U.S. Soybean Export Council, Paul Burke, após uma reunião com o Ministério da Agricultura".

Veja como fechou o mercado na última semana:

Soja: Área nos EUA surpreende, Chicago sobe quase 30 pts e preços disparam também no Brasil

Como esperado, o dia foi bastante volátil para os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago e fecharam com mais de 26 pontos de alta entre os principais vencimentos. Com isso, as cotações voltaram a superar os US$ 10,50 nas posições mais distantes, enquanto o maio/18 fechou o dia valendo US$ 10,44 por bushel.

O mercado futuro norte-americano reagiu, principalmente, aos números de área que foram reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os quais ficaram abaixo de todas as expectativas do mercado e ainda vieram menores do que os da safra anterior. Ainda assim, a área prevista para a oleaginosa, ao se confirmar, será maior do que a de milho pela primeira vez na história.

A estimativa é de 36,02 milhões de hectares (89 milhões de acres). O número é menor do que a média das expectativas do mercado de 36,79 milhões de hectares, e fica abaixo ainda do intervalo das projeções dos traders, que variavam de 36,38 a 37,27 milhões de hectares. Além disso, é menor também do que o número trazido pelo departamento, em fevereiro, de 36,42 milhões de hectares, durante o Agricultural Outlook Forum.

"Essa primeira estimativa fez o mercado em Chicago disparar, ninguém esperava por isso, e isso fez o mercado interno no Brasil também disparar, nos portos, com os melhores momentos com chance até de R$ 83,00 por saca, contra os níveis que vinham sendo trabalhados de R$ 80,00 a R$ 80,50. E mesmo assim, sem vendedores, e com os compradores agressivos, querendo soja", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

No porto de Paranaguá, após bater nesses bons momentos, a soja disponível ficou em R$ 81,50 por saca, subindo 1,24%, enquanto a referência para maio se manteve estável nos R$ 80,00. Em Rio Grande, as reações foram mais tímidas. A soja disponível fechou com R$ 77,60, caindo 0,26%, enquanto a referência não se moveu dos R$ 78,30 por saca.

No interior do Brasil, os preços chegaram a subir ate 4,41%, como foi o caso de Alto Garças, em Mato Grosso, onde a saca fechou o dia com R$ 71,00. Em Ubiratã e Londrina, no Paraná, o indicativo também terminou a semana nos R$ 71,00, com ganhos de mais de 1%. Em Castro, também no estado paranaense, o preço foi aos R$ 80,50, com ganho de 1,9%.

Estoques Americanos

O que limitou parte das altas em Chicago foram os números dos estoques trimestrais norte-americanos, também divulgados pelo USDA nesta quinta-feira, os quais ficaram acima das expectativas do mercado.

"De fato, os estoques vieram um pouco negativos para os preços", disse o analista de mercado da Price Futures Group, Jack Scoville.

Os estoques trimestrais de soja dos EUA vieram em 57,42 milhões de toneladas. O volume veio em linha com a máxima das expectativas do mercado, de 50,89 a 57,42 milhões de toneladas. A média esperada era de 55,57 milhões. Em 1º de março de 2017, os números eram de 47,33 milhões e, há três meses, de 85,92 milhões de toneladas.

Com esses números conhecidos, os analistas e consultores acreditam que, cada vez mais a partir de agora, o mercado em Chicago deverá se voltar às questões climáticas dos Estados Unidos.

"A AgResource Mercosul (ARC) vê o mercado de soja e milho sendo encharcado por uma abundância de estoques da safra 2017/18, no entanto, tentando o equilíbrio com a queda do potencial de produção na safra norte-americana 2018/19. Além disso, pode haver equilíbrio também com as quebras recentes na Argentina", diz o boletim diário da consultoria.

Dólar

Ainda nesta quinta-feira, a formação dos preços da soja no Brasil se depararam também com a movimentação cambial no país. Apesar de uma baixa de 0,93%, a moeda americana ainda conseguiu se manter acima dos R$ 3,30. Pelo segundo mês consecutivo, a divisa acumulou um ganho e subiu 1,77%. No ano, porém, o saldo ainda é negativo de 0,43%.

"O dólar começou a se acomodar após um período de alta volatilidade", comentou um profissional de mesa de câmbio à agência de notícias Reuters ao citar também ingresso de recursos nesta tarde e o exterior mais tranquilo para justificarem o recuo da moeda nesta quinta-feira.

Nesta sexta-feira, 30 de março, as bolsas norte-americanas e os mercados brasileiros não funcionarão em função do feriado.

Fonte: Notícias Agrícolas

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