Soja

Soja recua no Brasil mesmo com exportações em alta e avanço da colheita

Pressão do câmbio, Chicago e prêmios derruba preços, apesar do forte ritmo de embarques


Publicado em: 23/03/2026 às 18:40hs

Soja recua no Brasil mesmo com exportações em alta e avanço da colheita
Foto: APPA - Paranaguá
Preços da soja caem no mercado brasileiro

Os preços da soja registraram queda no mercado brasileiro ao longo da semana de 13 a 19 de março, pressionados por fatores como o câmbio, as cotações internacionais e a retração nos prêmios de exportação.

De acordo com análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, divulgada no dia 19, o cenário externo desfavorável teve impacto direto nas negociações internas.

Câmbio e Chicago influenciam cotações

Durante o período, o dólar oscilou entre R$ 5,19 e R$ 5,24, enquanto a Bolsa de Chicago exerceu pressão baixista sobre os preços.

Com isso, a soja chegou a ser negociada a cerca de R$ 116,00 por saca nas principais praças do Rio Grande do Sul. Nas demais regiões do país, os valores variaram entre R$ 97,00 e R$ 115,50 por saca.

Suspensão de exportações para a China derruba prêmios

O movimento de queda foi intensificado pela suspensão temporária das exportações brasileiras de soja para a China, inicialmente informada pela Cargill.

A decisão foi seguida por outras grandes tradings, como Olam, Amaggi, Louis Dreyfus Company e Bunge.

A repercussão no mercado foi imediata, provocando queda nos prêmios de exportação de até 20 centavos de dólar por bushel no Brasil.

Exportações seguem fortes apesar do impasse

Mesmo com as turbulências recentes, o desempenho das exportações brasileiras segue robusto. A Ceema destaca o peso da Cargill no comércio com a China, respondendo por cerca de 15% a 16% dos embarques entre julho de 2025 e março de 2026.

Até o início do impasse comercial, o Brasil havia exportado aproximadamente 27 milhões de toneladas de soja, volume 25% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e 44% acima da média dos últimos cinco anos.

Governo flexibiliza embarques e mercado reage

Diante da repercussão negativa, o Ministério da Agricultura e Pecuária emitiu um novo ofício na noite de 13 de março, flexibilizando os embarques para a China.

A medida contribuiu para a retomada gradual das operações comerciais. Além disso, a leve recuperação das cotações em Chicago após as quedas no início da semana ajudou a sustentar uma melhora nos preços internos no final do período, ainda que sem recuperar os níveis anteriores.

Colheita avança, mas segue abaixo do ano passado

No campo, a colheita da soja avançava para 57,4% da área cultivada no início da semana, ligeiramente abaixo dos 66% registrados no mesmo período do ano passado e próxima da média histórica de 57,9%.

Em Mato Grosso, principal estado produtor, os trabalhos estavam praticamente concluídos, alcançando 97% da área semeada.

Mercado segue atento ao cenário externo

O mercado da soja segue sensível a fatores externos, como câmbio, demanda chinesa e oscilações nas bolsas internacionais. Apesar do forte ritmo de exportações, a combinação de prêmios mais baixos e pressão internacional mantém os preços internos sob pressão no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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