Soja

Soja reage em Chicago e mercado brasileiro ajusta preços diante de câmbio e oferta

Complexo soja registra recuperação com suporte do óleo e cenário internacional, enquanto colheita e câmbio influenciam cotações no Brasil


Publicado em: 09/04/2026 às 11:10hs

Soja reage em Chicago e mercado brasileiro ajusta preços diante de câmbio e oferta
Recuperação do complexo soja é impulsionada pelo petróleo e expectativas do USDA

O mercado internacional do complexo soja registrou recuperação nesta quinta-feira (9) na Bolsa de Chicago, com altas moderadas nos contratos da oleaginosa, farelo e óleo. O movimento foi impulsionado principalmente pela retomada dos preços do petróleo, que voltaram a subir diante de tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

Após forte queda na sessão anterior, o óleo de soja reagiu acompanhando a valorização do petróleo tipo Brent e WTI, oferecendo suporte adicional aos preços do grão. No início do dia, os contratos futuros da soja subiam entre 3,50 e 4,25 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 11,66 por bushel e julho a US$ 11,82.

Além do movimento técnico, os investidores aguardam a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para o início da tarde. Embora o mercado não espere grandes mudanças, há cautela e ajustes de posições antes dos novos números.

Tensões geopolíticas elevam petróleo e impactam commodities agrícolas

O cenário externo segue como um dos principais vetores para os preços agrícolas. A fragilidade do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã voltou ao radar dos investidores após novas ameaças e episódios de conflito, elevando a incerteza global.

Esse ambiente contribuiu para a alta superior a 4% nos preços do petróleo, impactando diretamente os derivados da soja, especialmente o óleo, que possui forte correlação com o mercado energético.

Câmbio reduz competitividade da soja brasileira no mercado externo

Outro fator determinante foi a movimentação cambial. A valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, influenciando a formação de preços e o ritmo de comercialização.

Segundo análises do mercado, essa oscilação cambial contribuiu para ajustes nas cotações e reforçou a cautela entre os agentes, especialmente no Brasil.

Contratos de Chicago encerram com ganhos moderados

Ao longo do dia, os contratos futuros da soja consolidaram ganhos moderados. O vencimento de maio avançou 0,32%, enquanto julho subiu 0,30%. O farelo acompanhou a tendência positiva, enquanto o óleo de soja recuou mais de 3% em determinado momento, pressionado por ajustes após a volatilidade recente do petróleo — apesar de ainda acumular forte valorização no ano.

O mercado também reagiu às expectativas de leve aumento nos estoques finais dos Estados Unidos, o que limita ganhos mais expressivos.

Avanço da colheita no Brasil pressiona preços regionais

No Brasil, o andamento da safra segue como fator relevante. No Rio Grande do Sul, a colheita avançou de 10% para 23% da área no início de abril, mas a produtividade permanece abaixo do esperado devido à irregularidade das chuvas. Essa menor oferta regional tem contribuído para sustentar os preços no estado.

Em Santa Catarina, o mercado físico permanece estável, refletindo a ausência de novas informações e a postura cautelosa dos agentes. Já no Paraná, a combinação de maior oferta e queda do dólar pressiona as cotações, ampliando as diferenças entre regiões.

Centro-Oeste mantém liderança na produção, mas enfrenta desafios logísticos

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul já colheu mais de 86% da área, enquanto cresce a preocupação com a redução nas importações de fertilizantes, fator que pode impactar as próximas safras.

Em Mato Grosso, a safra recorde reforça a liderança nacional na produção de soja. O estado também avança na transição para o milho safrinha, com preços variando conforme logística e demanda.

Mercado monitora oferta, demanda e fatores globais

O mercado da soja continua sendo influenciado por uma combinação de fatores: avanço da colheita na América do Sul, oscilações cambiais, expectativas sobre estoques globais e, principalmente, cenário macroeconômico e geopolítico.

Com isso, a tendência é de manutenção da volatilidade no curto prazo, com os investidores atentos aos próximos dados do USDA e aos desdobramentos no mercado de energia.

Fonte: Portal do Agronegócio

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