Soja

Soja reage em Chicago com tensão no Oriente Médio, mas vendas seguem lentas no Brasil

Alta do petróleo impulsiona complexo soja, enquanto produtores brasileiros seguram comercialização diante de fretes altos e pressão logística


Publicado em: 28/05/2026 às 11:10hs

Soja reage em Chicago com tensão no Oriente Médio, mas vendas seguem lentas no Brasil

O mercado da soja voltou a registrar volatilidade nesta quinta-feira (28), com recuperação dos preços na Bolsa de Chicago impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela forte alta do petróleo. Apesar do avanço externo, o ritmo de comercialização no Brasil segue lento, com produtores cautelosos diante das incertezas do mercado internacional, dos custos logísticos elevados e dos gargalos de armazenagem em importantes regiões produtoras.

Os contratos futuros da soja operaram em alta na Bolsa de Chicago após sessões anteriores de perdas. Os vencimentos mais negociados avançaram mais de 0,5%, com o contrato julho cotado próximo de US$ 11,92 por bushel e o agosto em torno de US$ 11,93 por bushel. O movimento também alcançou os subprodutos, com ganhos moderados no farelo e no óleo de soja.

A reação do mercado internacional ocorre em meio ao aumento das preocupações envolvendo os conflitos entre Estados Unidos e Irã. A valorização superior a 2% do petróleo Brent e WTI reforçou o movimento de alta das commodities agrícolas, enquanto o dólar ganhou força frente a outras moedas globais, em um ambiente de maior aversão ao risco.

O estreito de Ormuz permanece no centro das atenções dos investidores, principalmente por sua importância estratégica para o fluxo mundial de petróleo. Além disso, questões relacionadas ao enriquecimento de urânio pelo Irã seguem ampliando a tensão nos mercados globais.

Além do cenário geopolítico, os traders continuam atentos às condições climáticas nos Estados Unidos. O clima mais seco no Corn Belt favorece o avanço do plantio, mas já começa a elevar preocupações sobre possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.

Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram que o plantio da soja alcançou 79% da área projetada, percentual acima da média histórica, embora ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.

Mercado físico brasileiro segue travado

No Brasil, a reação dos preços internacionais ainda não foi suficiente para destravar os negócios no mercado físico. A comercialização permanece lenta em diversas regiões produtoras, com agricultores priorizando retenção de estoques à espera de melhores oportunidades de preço.

No Rio Grande do Sul, a colheita da safra está praticamente concluída, com cerca de 98% da área já colhida. No Porto de Rio Grande, a soja foi negociada ao redor de R$ 130,00 por saca, mantendo relativa estabilidade.

Em Santa Catarina, os negócios seguiram pontuais, refletindo a postura mais defensiva dos produtores diante da volatilidade internacional. No Porto de São Francisco do Sul, a referência permaneceu próxima de R$ 131,00 por saca.

No Paraná, a safra foi encerrada com produção estimada em 21,7 milhões de toneladas e boa qualidade dos grãos. O Porto de Paranaguá apresentou leve valorização, embora algumas regiões do interior tenham registrado ajustes negativos nos preços.

Centro-Oeste enfrenta pressão logística

O Centro-Oeste brasileiro continua convivendo com desafios estruturais importantes, principalmente relacionados à armazenagem e ao escoamento da produção.

Em Mato Grosso do Sul, a safra recorde de 16,744 milhões de toneladas amplia a pressão sobre a infraestrutura logística do estado. Já Mato Grosso, principal produtor nacional de soja, segue liderando o déficit de capacidade estática de armazenagem no país, situação que força muitos produtores a acelerarem o escoamento da safra mesmo em momentos de preços menos atrativos.

O cenário reforça a preocupação do setor com os custos de frete e a necessidade de investimentos em infraestrutura para garantir maior competitividade ao agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Mercado segue sensível a fatores externos

Analistas destacam que o comportamento da soja nos próximos dias continuará diretamente influenciado pelo cenário internacional, especialmente pelas tensões no Oriente Médio, pelas oscilações do petróleo, pelo clima nos Estados Unidos e pelo ritmo da demanda global.

Enquanto isso, no Brasil, a combinação entre dólar, prêmios de exportação, logística e capacidade de armazenagem continuará determinando o ritmo dos negócios e a estratégia dos produtores para a comercialização da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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