Publicado em: 11/03/2026 às 11:55hs
O mercado global da soja iniciou a semana sob forte volatilidade, influenciado por uma combinação de fatores que envolvem geopolítica, clima na América do Sul, dados atualizados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e movimentações no mercado internacional de energia. Ao mesmo tempo, investidores acompanham expectativas de novas compras chinesas e o posicionamento de fundos no mercado de commodities.
No cenário macroeconômico, o ambiente externo também repercute no Brasil. O Banco Central segue monitorando os efeitos da inflação global e das oscilações cambiais. O dólar continua sensível às incertezas geopolíticas e aos movimentos do mercado internacional, fatores que impactam diretamente os custos logísticos e o comércio de commodities agrícolas.
O relatório mensal de oferta e demanda agrícola (WASDE) divulgado pelo USDA trouxe novos números que ajudam a direcionar as negociações no mercado internacional de soja.
Segundo o documento, a produção mundial da oleaginosa para a safra 2025/26 foi estimada em 427,18 milhões de toneladas, redução de 1 milhão de toneladas em relação à previsão anterior de 428,18 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de produção em 180 milhões de toneladas na safra 2025/26, enquanto a estimativa para 2024/25 permanece em 171,5 milhões de toneladas.
Já a produção da Argentina foi revisada para 48 milhões de toneladas, abaixo das 48,5 milhões indicadas no relatório anterior.
Nos Estados Unidos, a safra de soja foi projetada em 4,262 bilhões de bushels, o equivalente a cerca de 116 milhões de toneladas, com produtividade média estimada em 53 bushels por acre.
Os estoques finais norte-americanos foram mantidos em 350 milhões de bushels, aproximadamente 9,53 milhões de toneladas, número levemente acima das expectativas do mercado.
Outro fator que sustentou as cotações foi a expectativa de aumento das compras chinesas de soja norte-americana. Representantes da China e dos Estados Unidos devem se reunir nos próximos dias, o que elevou as apostas do mercado em novos negócios envolvendo a oleaginosa.
Diante desse cenário, os contratos futuros registraram valorização moderada na Bolsa de Chicago (CBOT).
O contrato com entrega em maio de 2026 encerrou cotado a US$ 12,01 ¾ por bushel, enquanto o vencimento julho de 2026 fechou a US$ 12,15 por bushel, com ganhos próximos de 0,5%.
Nos subprodutos, o farelo de soja avançou para US$ 314,50 por tonelada, enquanto o óleo de soja apresentou leve retração no fechamento da sessão anterior.
Na quarta-feira (11), os contratos futuros da soja voltaram a registrar ganhos mais expressivos em Chicago, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
As cotações do petróleo Brent e WTI subiam mais de 3% durante a manhã, movimento que aumenta o interesse por óleos vegetais como matéria-prima energética. Com isso, o óleo de soja liderou os ganhos dentro do complexo da oleaginosa.
Por volta das 6h55 (horário de Brasília), os contratos da soja registravam alta entre 13,50 e 14,50 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 12,16 por bushel e o julho a US$ 12,29 por bushel.
O movimento também reflete a atuação mais compradora dos fundos de investimento, que ampliaram posições em commodities agrícolas diante do aumento da aversão ao risco global.
A intensificação das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã voltou a colocar o cenário geopolítico no centro das atenções dos investidores.
Relatos de dificuldades logísticas e riscos operacionais no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás, aumentaram os prêmios de risco no mercado de energia.
A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo elevou os preços da commodity e gerou reflexos em diversos mercados, incluindo o agrícola.
Para o agronegócio global, a alta do petróleo pode representar aumento nos custos de fretes, combustíveis e fertilizantes importados, além de provocar mudanças nas rotas comerciais e nos fluxos logísticos internacionais.
As condições climáticas também seguem no radar do mercado, especialmente no Brasil, maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.
As previsões meteorológicas indicam chuvas acima da média nas regiões Norte e Nordeste, o que favorece a umidade do solo, mas exige atenção durante as operações de campo.
Por outro lado, o Sul do país deve registrar precipitações abaixo da média histórica, cenário que pode impactar o desenvolvimento das lavouras.
No Centro-Sul, as chuvas intensas e irregulares das últimas semanas têm provocado atrasos na colheita da soja, além de reduzir a janela ideal para o plantio do milho segunda safra, fator que aumenta a preocupação entre produtores.
Nos portos brasileiros, os prêmios de exportação da soja também têm sido pressionados.
O avanço da colheita e a chegada de grandes volumes da safra ao mercado aumentam a oferta disponível, ao mesmo tempo em que a valorização do dólar frente ao real e os riscos logísticos globais elevam os custos do comércio internacional.
Além disso, as tensões no Oriente Médio elevaram os custos de fretes marítimos e seguros internacionais, especialmente em rotas que passam pelo Estreito de Ormuz. Diante desse cenário, importadores passaram a reduzir os prêmios pagos pela soja brasileira nos portos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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