Publicado em: 10/04/2026 às 11:00hs
O mercado da soja finaliza a semana com comportamento lateral na Bolsa de Chicago, refletindo um cenário de incertezas e menor intensidade especulativa. Após sucessivos movimentos influenciados por fatores externos, os investidores adotam uma postura mais cautelosa.
As tensões geopolíticas seguem no radar, mas com sinais divergentes, o que reduz a previsibilidade e leva os agentes a focarem nos fundamentos. Nesse contexto, o início da nova safra dos Estados Unidos passa a ser o principal ponto de atenção, especialmente em relação ao clima no Meio-Oeste, ao ritmo de plantio e à evolução da demanda.
O farelo de soja continua exercendo influência positiva sobre os preços do grão. Nesta sexta-feira, os contratos futuros registraram valorização superior a 1%, superando o patamar de US$ 323 por tonelada curta nas posições mais negociadas.
O movimento é impulsionado pela menor disponibilidade do produto argentino, o que amplia a demanda pelo farelo norte-americano e fortalece as cotações na Bolsa de Chicago.
Em sentido oposto, o óleo de soja apresenta queda próxima de 1%, atuando como fator limitador para avanços mais consistentes do grão. O derivado passa por ajustes após uma semana marcada por forte volatilidade.
Mesmo com a valorização do petróleo, os preços do óleo recuam, influenciados pelas incertezas relacionadas ao acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, considerado frágil e ainda sujeito a rupturas.
Os contratos futuros da soja em Chicago apresentaram variações moderadas nos últimos pregões. O vencimento maio avançou 0,28%, enquanto o contrato julho registrou alta de 0,25%.
O desempenho reflete um equilíbrio entre fatores de suporte, como o farelo, e pressões negativas, como o óleo e o ambiente externo.
O relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi interpretado como neutro pelo mercado. Entre os principais pontos, destacam-se a redução das exportações norte-americanas e o aumento do esmagamento doméstico, com manutenção dos estoques finais.
Além disso, a diminuição das áreas afetadas por seca favorece o início do plantio da nova safra, contribuindo para um cenário mais estável.
No Brasil, a colheita da soja segue avançando, com destaque para diferentes ritmos entre os estados produtores:
No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingem 38%, favorecidos pelo clima seco e pela intensificação das operações, inclusive no período noturno. A produtividade média é de 2.871 kg por hectare, embora com variações regionais. Os preços apresentaram alta ao longo da semana, sustentados pela menor oferta e pela demanda industrial.
Em Santa Catarina, o mercado permanece estável na maior parte das regiões, com leve recuo nos preços nos portos e pouca atualização de dados oficiais.
No Paraná, a colheita alcança 96%, com o foco dos produtores voltado ao milho safrinha e ao aumento dos custos relacionados ao manejo de plantas daninhas.
Em Mato Grosso do Sul, os trabalhos chegam a 98,2%, com revisão positiva na produtividade após as chuvas registradas em março. Apesar disso, a comercialização segue em ritmo lento.
Já o Mato Grosso confirma uma safra recorde, com avanço consistente da colheita e do plantio do milho safrinha, além de elevação nos preços na maior parte das regiões.
Com a redução do impacto das especulações e a persistência das incertezas externas, o mercado da soja retoma o foco nos fundamentos. O equilíbrio entre oferta e demanda, o comportamento dos derivados e o desenvolvimento da safra norte-americana devem continuar direcionando os preços no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias