Publicado em: 01/03/2018 às 10:10hs
Fevereiro terminou, março começou e o início do mês parece trazer novas altas para os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. Na sessão desta quinta-feira (1), por volta de 7h30 (horário de Brasília), as cotações subiam entre 4,50 e 6,75 pontos, com o maio/18 enfim batendo nos US$ 10,60 por bushel. Assim, os vencimentos julho e agosto já buscam os US$ 10,70.
A continuidade do movimento positivo dos preços da commodity se dá diante da falta de mudanças entre as condições climáticas na Argentina. O tempo permanece quente e seco em importantes regiões produtoras do país, onde a umidade é determinante neste momento.
"O padrão meteorológico global não apresenta mudanças nas últimas 48 horas. No geral, o foco especulativo ainda continua na seca em expansão na Argentina", diz o boletim diário da AgResource Mercosul.
E essa deverá ser a frente do mercado a atrair maior atenção dos traders pelo menos até a metade deste mês, como explicam os analistas da consultoria. "Operadores continuarão concentrados nas variações climáticas para a América do Sul até meados de março, quando atenções na safra norte-americana começa a ser um fator de maior importância na composição dos preços", diz o reporte.
Ademais, a onda de frio que castiga países da Europa e, consequentemente, algumas áreas de trigo também favorece as altas, já que só no pregão de ontem promoveram ganhos de até 4,8% na Bolsa de Chicago enhre os futuros do cereal, que também puxaram os preços da soja e do milho.
Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:
Soja tem R$ 79 nos portos do Brasil com rallies em Chicago e dólar subindo 2% em fevereiro
Os preços da soja no mercado brasileiro garantiram mais um dia de altas nesta quarta-feira (28), refletindo um novo dia positivo para as cotações da commodity na Bolsa de Chicago e com uma alta acumulada de quase 2% sobre o real em fevereiro. Os futuros da oleaginosa terminaram o dia com altas entre 5,25 e 7 pontos nas posições mais negociadas - com o maio/18 encerrando o pregão em US$ 10,55 por bushel.
Dessa forma, as cotações no mercado doméstico terminaram os negócios subindo, no interior do país, entre 0,64% e 3,79%, com destaques para praças como Primavera do Leste/MT, onde o indicativo foi a R$ 65,00 por saca, ou Itiquira, com a última referência em R$ 65,80. No Paraná, as principais praças têm cotações próximas dos R$ 70,00 ou até mesmo acima disso em alguns casos.
No porto de Paranaguá, os preços subiram quase 2% nesta quarta. A soja disponível ficou em R$ 79,00 por saca e a referência abril/18 foi a R$ 79,50, com altas respectivas de 1,94% e 1,92%. No terminal de Rio Grande, R$ 78,00 e R$ 78,50 por saca, respectivamente, subindo 1,30% e 0,64%.
A janela é, portanto, de boas oportunidades para o produtor brasileiro. As cotações, afinal, renovam seus melhores momentos do ano e remuneram bem os produtores, como explicam os especialistas.
"Para o produtor rural, mais do que tudo, ano bom é ano que tem lucro. E com a soja a R$ 79,00 no porto é muito rentável para a cultura. Para aqueles que estão próximos dos portos, com uma logística melhor, vale muito a pena vender", explica o analista de mercado Marcos Araújo, da Lansing Trade Group. "Mais do que o preço da exportação, chamo a atenção também pelo que as indústrias no Brasil podem pagar para a soja em grão", completa.
Ainda segundo Araújo, a margem da indústria é bastante positiva neste momento, que gira próxima de US$ 50,00 por tonelada. "Isso é muito interessante porque a indústria pode pagar pela soja em grão mais caro do que o exportador", diz.
Além disso, o analista explica ainda que a cultura da soja ainda se mostra mais rentável do que outras culturas como milho e algodão, por exemplo, diante dos custo de produção, considerando cotações e dólar futuros.
Dólar
Nesta quarta-feira, o dólar fechou com leve baixa de 0,22% para ficar em R$ 3,2428. Apesar do recuo nesta sessão, a moeda americana acumulou um avanço de quase 2% em janeiro, registrando sua maior alta acumulada desde outubro último.
De acordo com especialistas ouvidos pela Reuters, as perspectivas de que o Federal Reserve possa vir a aumentar os juros americanos mais rápido do que o previsto traz essa reação do mercado cambial.
"Um aumento dos juros nos Estados Unidos em março está amplamente precificado, mas investidor vai olhar o comunicado para ver como será daí para a frente", afirmou o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues á agência de notícias.
Bolsa de Chicago
No mercado internacional, as altas foram, mais uma vez, motivadas pelas preocupações com a nova safra argentina, com o farelo liderando os ganhos no complexo, com uma alta acumulada no ano de 24%, ainda segundo Marcos Araújo. O país vizinho do Brasil, afinal, é o maior produtor e exportador do derivado e pode deixar um gap de oferta no mercado diante de suas perdas na temporada 2017/18 em função da seca.
Com projeções iniciais na casa de 57 milhões de toneladas, as expectativas para a nova safra da Argentina são de menos de 50 milhões e podem sofrer novas correções para baixo uma vez que as adversidades climáticas continuem a castigar as lavouras por lá.
Fonte: Notícias Agrícolas
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