Publicado em: 20/03/2026 às 11:30hs
Os preços da soja na Bolsa de Chicago voltaram a subir nesta sexta-feira (20), em mais um movimento de recuperação após uma semana marcada por intensa volatilidade. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os contratos de maio e julho eram negociados a US$ 11,72 e US$ 11,87 por bushel, respectivamente, com pequenas altas entre 4 e 5 pontos.
Parte do suporte vem de fatores técnicos, após perdas recentes, e do desempenho dos derivados. Após dois dias de baixa, o óleo de soja avançou mais de 1%, enquanto o farelo subiu mais de 3%, oferecendo suporte adicional às cotações do grão. No entanto, o mercado segue atento ao ritmo de comercialização da safra sul-americana e a fatores externos, como tensões geopolíticas no Oriente Médio e relações comerciais entre Donald Trump e Xi Jinping, cujo encontro foi adiado.
Apesar da valorização em Chicago, os preços domésticos no Brasil permanecem pressionados. A combinação de um dólar em queda frente ao real e prêmios negativos nos portos limita a competitividade das exportações e reduz o poder de reação das cotações internas.
Segundo a TF Agroeconômica, o avanço da soja na América do Sul foi sustentado principalmente pela alta do farelo, enquanto o óleo apresentou recuo devido à realização de lucros e à expectativa de anúncios sobre biodiesel nos Estados Unidos. Os contratos de maio e julho na CBOT fecharam em alta de 0,56% e 0,57%, respectivamente.
O cenário de oferta também ajudou a manter a sustentação das cotações. A safra brasileira foi revisada para 177,9 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina mantém previsão de 48,5 milhões de toneladas, beneficiada pela melhora na umidade do solo. Mesmo com vendas externas abaixo do esperado, esses fatores forneceram base para a valorização internacional.
No território nacional, o progresso da colheita ocorre de forma desigual:
A combinação de atrasos na colheita, problemas de transporte e custos elevados, incluindo a alta do diesel, limita a transmissão da valorização internacional para o mercado interno. Especialistas alertam que, apesar da alta em Chicago, a competitividade brasileira continua condicionada à logística, capacidade de armazenagem e oferta de insumos no campo.
O cenário reforça a importância de medidas estruturais para melhorar a eficiência do escoamento e permitir que os ganhos no mercado internacional sejam refletidos nos preços pagos aos produtores brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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