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Soja hoje: dólar em alta sustenta preços no Brasil, mas Chicago segue pressionada por avanço do plantio nos EUA

Mercado da soja opera com lentidão no Brasil, enquanto investidores acompanham clima nos Estados Unidos, demanda chinesa e queda do petróleo


Publicado em: 27/05/2026 às 11:10hs

Soja hoje: dólar em alta sustenta preços no Brasil, mas Chicago segue pressionada por avanço do plantio nos EUA

O mercado brasileiro da soja voltou a registrar um ritmo lento de negociações nesta quarta-feira (27), refletindo a combinação entre a pressão negativa da Bolsa de Chicago e a cautela dos produtores diante das oscilações cambiais e do cenário internacional. Apesar da valorização do dólar frente ao real, o ambiente segue travado em diversas regiões produtoras do país.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros operaram próximos da estabilidade após perdas mais intensas na sessão anterior. O contrato julho foi cotado ao redor de US$ 11,85 por bushel, com o mercado reagindo ao avanço acelerado do plantio norte-americano e à ausência de novidades relevantes sobre compras chinesas de soja dos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o plantio da oleaginosa já alcança 79% da área prevista, acima dos 75% registrados no mesmo período do ano passado e superior à média histórica de 68%. Embora o percentual tenha vindo ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, o ritmo segue considerado confortável e limita movimentos de alta nas cotações internacionais.

Além do clima favorável no Meio-Oeste americano, o mercado também monitora a tensão geopolítica envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, que continua influenciando os preços do petróleo e, consequentemente, o complexo soja.

Dólar em alta ajuda sustentação no mercado físico

No Brasil, a valorização do dólar comercial — negociado acima de R$ 5,03 — trouxe algum suporte aos preços internos, especialmente nos portos e nas indústrias. Ainda assim, os negócios seguiram pontuais.

Segundo analistas do mercado, muitos produtores permanecem afastados da ponta vendedora, aguardando melhores oportunidades de comercialização. O cenário também é marcado por custos logísticos elevados, gargalos de armazenagem e incertezas relacionadas à demanda internacional.

Entre as principais praças do país, os preços apresentaram poucas alterações:

  • Passo Fundo (RS): R$ 124,00 por saca
  • Santa Rosa (RS): R$ 125,00
  • Cascavel (PR): R$ 119,00
  • Rondonópolis (MT): R$ 109,00
  • Dourados (MS): R$ 113,50
  • Rio Verde (GO): R$ 112,00

Nos portos, Paranaguá (PR) recuou para R$ 130,00 por saca, enquanto Rio Grande (RS) permaneceu no mesmo patamar.

China decepciona mercado e amplia pressão sobre Chicago

O mercado internacional também reagiu negativamente à frustração em torno das compras chinesas de soja americana. Investidores esperavam volumes maiores após sinalizações anteriores da Casa Branca, mas a demanda ficou abaixo das expectativas, reduzindo o apetite comprador em Chicago.

Além disso, houve retração nas importações europeias de soja e farelo da safra 2025/26, fator que reforçou o movimento baixista nos contratos futuros.

Mesmo assim, os embarques semanais dos Estados Unidos vieram acima das projeções privadas, totalizando 571,6 mil toneladas, o que evitou perdas ainda mais fortes no pregão.

Sul do Brasil encerra colheita com forte diferença de produtividade

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja está praticamente finalizada, alcançando 98% da área cultivada. A produtividade média estadual ficou em 2.871 quilos por hectare, porém com grande variação entre regiões.

Áreas irrigadas registraram rendimentos superiores a 4 mil quilos por hectare, enquanto lavouras instaladas em solos mais arenosos tiveram produtividade abaixo de mil quilos por hectare.

Em Santa Catarina, a colheita foi concluída nas principais regiões produtoras, mas o alto custo do frete e a dependência de armazéns terceirizados continuam limitando o poder de comercialização dos produtores.

Já no Paraná, a produção estadual encerrou a safra em 21,7 milhões de toneladas. O setor acompanha com preocupação os custos logísticos, a redução do seguro rural e possíveis impactos ambientais sobre as exportações brasileiras.

Centro-Oeste enfrenta pressão de custos e armazenagem

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul confirmou safra recorde de 16,74 milhões de toneladas, impulsionada pela boa produtividade das lavouras. Porém, o estado enfrenta limitações estruturais importantes, especialmente na armazenagem de grãos.

A forte dependência da China também preocupa o mercado local. Atualmente, mais de 84% das exportações sul-mato-grossenses de soja têm o país asiático como destino principal.

Em Mato Grosso, o avanço dos custos de produção chama atenção. As estimativas para a safra 2026/27 apontam custo operacional acima de R$ 4,2 mil por hectare, exigindo produtividade mínima próxima de 69 sacas por hectare para equilíbrio financeiro da atividade.

O cenário reforça a cautela dos produtores diante de um mercado ainda pressionado por volatilidade cambial, incertezas geopolíticas e oscilações na demanda global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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