Publicado em: 09/03/2026 às 10:30hs
As negociações envolvendo o complexo da soja começam a ganhar maior dinamismo no mercado brasileiro neste período de colheita. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta que o aumento das transações segue o comportamento sazonal típico da entrada da safra, mas também revela a ampliação das relações comerciais com países que historicamente apresentavam menor participação nas compras do produto brasileiro.
Com a nova safra chegando ao mercado, o Brasil concentra grande parte da oferta global neste período do ano. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que o país deverá responder por cerca de 61% da demanda mundial de exportações de soja, reforçando sua posição de principal fornecedor da oleaginosa no mercado internacional.
Além do fator sazonal, o cenário geopolítico internacional pode ampliar ainda mais o interesse pela soja brasileira, sobretudo diante das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.
A escalada das tensões no Oriente Médio tem provocado forte volatilidade no mercado global de energia. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo — tem gerado preocupação entre investidores e operadores do mercado.
Como consequência, os preços do petróleo registraram forte valorização. O barril do Brent crude oil superou a marca de US$ 104, enquanto o West Texas Intermediate ultrapassou US$ 101 por barril, níveis que não eram observados desde 2022.
A alta do petróleo tende a impulsionar o mercado agrícola por dois fatores principais: a migração de investidores para fundos de commodities e o aumento da demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, como o óleo de soja.
O cenário externo favorável contribuiu para a valorização dos contratos futuros da soja negociados na Chicago Board of Trade. O contrato com vencimento em maio voltou a superar a marca de US$ 12 por bushel, alcançando o maior patamar desde 2024.
Durante as negociações mais recentes, os contratos registraram cotações próximas de:
Fundos de investimento também reforçaram o movimento positivo ao atuarem como compradores líquidos de aproximadamente 12 mil contratos de soja, além de posições adicionais em derivados do complexo.
Entre os produtos derivados da oleaginosa, o destaque ficou para o óleo de soja, que apresentou a maior valorização recente. O contrato com vencimento em maio avançou cerca de US$ 19,40 por tonelada, acumulando ganho semanal superior a 7,6%.
A valorização está associada principalmente a três fatores:
O farelo de soja também apresentou avanço nas últimas sessões, embora tenha registrado leve recuo no acumulado semanal após movimento de realização de lucros.
No comércio exterior, o Brasil mantém forte ritmo de embarques. Projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais indicam que o país poderá exportar aproximadamente 16,09 milhões de toneladas de soja em março.
O volume estimado supera tanto o registrado em fevereiro, quando os embarques somaram cerca de 8,88 milhões de toneladas, quanto o observado no mesmo período do ano passado, de 15,73 milhões de toneladas.
Para o farelo de soja, a estimativa é de 2,49 milhões de toneladas exportadas no mês.
O avanço da colheita da soja no Brasil também tem elevado a demanda por transporte rodoviário. Com maior fluxo de caminhões nas estradas, os custos de frete vêm registrando aumento, tendência que pode se intensificar caso os preços do combustível permaneçam elevados.
De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário tem levado muitos produtores a anteciparem vendas da oleaginosa no mercado físico, movimento motivado tanto pela necessidade de liquidez quanto pelo cumprimento de compromissos financeiros.
No cenário interno, a condução da política monetária pelo Banco Central do Brasil continua sendo acompanhada de perto pelo setor produtivo e pelo mercado financeiro.
A taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamar elevado como parte da estratégia de controle da inflação. Esse ambiente influencia diretamente o comportamento do câmbio, fator determinante para a competitividade da soja brasileira nas exportações.
A variação do dólar frente ao real pode impactar tanto o ritmo das vendas externas quanto a formação dos preços no mercado doméstico.
Analistas apontam que o mercado global da soja deverá seguir sensível a diversos fatores nas próximas semanas, entre eles:
Mesmo com o avanço da colheita e aumento da oferta global, o conjunto de fatores externos tem sustentado as cotações da oleaginosa no mercado internacional, mantendo um cenário de atenção e possível volatilidade para os preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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