Publicado em: 03/07/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de soja encerrou junho com recuperação dos preços domésticos e melhora pontual na comercialização. O movimento foi sustentado pela valorização do câmbio, prêmios de exportação mais firmes ao longo do mês e pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, que segue pressionada por fundamentos globais de oferta.
No mercado interno, a saca de 60 kg registrou alta em importantes praças comerciais do país. Em Passo Fundo (RS), o preço subiu de R$ 125,50 para R$ 131,50 no mês. Em Cascavel (PR), passou de R$ 120,50 para R$ 126,50.
Em Rondonópolis (MT), referência do Centro-Oeste, a valorização foi de R$ 109,00 para R$ 117,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá (PR), um dos principais corredores de exportação do grão, a cotação avançou de R$ 131,50 para R$ 137,50.
O desempenho reflete a combinação de fatores internos mais favoráveis, especialmente o câmbio e os prêmios de exportação, que ajudaram a sustentar as cotações mesmo com o ambiente externo desfavorável.
Entre os principais elementos de formação do preço da soja no Brasil, o dólar comercial teve alta de 2,34% no mês, encerrando junho cotado a R$ 5,16. O movimento contribuiu diretamente para melhorar a paridade de exportação e sustentar os preços internos.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos de soja com vencimento em novembro recuaram 3,8% no período, fechando o mês a US$ 11,44 por bushel.
O mercado internacional segue pressionado por fundamentos baixistas, principalmente o clima favorável nas lavouras dos Estados Unidos, que aumenta as expectativas de uma safra cheia e reforça a perspectiva de ampla oferta global.
O cenário externo também foi influenciado pelo arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que reduziu o preço do petróleo a níveis anteriores ao conflito e retirou suporte adicional das commodities agrícolas.
Além disso, a valorização do dólar frente a outras moedas reduz a competitividade da soja norte-americana no mercado internacional, ampliando a disputa por demanda, especialmente da China, principal importadora global.
Segundo relatório de área plantada do USDA, a área de soja nos Estados Unidos em 2026 deve totalizar 85,4 milhões de acres.
O volume representa alta de cerca de 5% em relação ao ano anterior, quando foram cultivados 81,215 milhões de acres. O número veio dentro das expectativas do mercado e acima do relatório de intenção de plantio divulgado em março.
O aumento da área foi registrado em 23 dos 29 estados produtores, reforçando a perspectiva de ampliação da oferta norte-americana na próxima safra.
Os estoques trimestrais de soja em grão nos Estados Unidos, na posição de 1º de junho, totalizaram 1,06 bilhão de bushels, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O volume ficou levemente acima da expectativa do mercado, que projetava 1,05 bilhão de bushels. Do total, 367 milhões de bushels estão armazenados nas propriedades rurais, com queda de 11% na comparação anual.
Já os estoques fora das fazendas somam 694 milhões de bushels, com crescimento de 16%, indicando maior concentração do produto em estruturas comerciais e armazenagem externa.
Apesar da pressão vinda da oferta global, o mercado internacional mantém atenção sobre o comportamento da demanda chinesa, considerada decisiva para a sustentação dos preços no segundo semestre.
A expectativa dos agentes é que qualquer aumento consistente nas importações possa ajudar a reduzir parte da pressão baixista observada em Chicago, especialmente diante do cenário de ampla oferta projetada para os Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias