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Soja

Soja: esmagamento e demanda por biocombustíveis ganham peso na formação de preços

China segue como principal destino das exportações brasileiras, enquanto o avanço do processamento no Brasil e nos Estados Unidos amplia a influência do óleo de soja e das margens da indústria


Publicado em: 24/09/2026 às 10:40hs

Soja: esmagamento e demanda por biocombustíveis ganham peso na formação de preços

A China permanece no centro do comércio da soja brasileira, mas o crescimento do processamento nos países produtores amplia os fatores que influenciam a demanda pelo grão. Com mais soja destinada à produção de farelo e óleo, as margens das indústrias e o mercado de biocombustíveis passam a merecer atenção nas decisões de comercialização.

De janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou 92,98 milhões de toneladas de soja, das quais 65,01 milhões foram destinadas à China. O país asiático respondeu por 69,9% dos embarques no período, ante 79,1% em 2025, segundo os dados apresentados pela Biond Agro.

China continua relevante, mas processamento ganha espaço

A menor participação chinesa nos embarques brasileiros não elimina a importância do país para o setor. Ela reforça, porém, a necessidade de acompanhar outras fontes de demanda. Segundo a Biond Agro, o rebanho suíno da China passou de 43,6 milhões de cabeças em 2023 para cerca de 40 milhões em 2026. A criação de suínos é uma das atividades que impulsionam o consumo de farelo de soja na alimentação animal.

“A China continua sendo um mercado muito importante para a soja brasileira, mas o cenário está mudando. O produtor precisa começar a olhar com mais atenção para o que acontece dentro dos próprios países produtores, porque é ali que uma parte importante da nova demanda está aparecendo”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.

No Brasil, o volume de soja esmagada cresceu de 36,4 milhões de toneladas em 2012 para 58,7 milhões em 2025. A projeção da Biond Agro para 2026 é de 62,5 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o processamento alcançou 64,6 milhões de toneladas em 2025/26, o equivalente a aproximadamente 57% da safra americana.

O avanço da atividade aumenta a procura das indústrias pelo grão e a oferta de farelo e óleo. Por isso, a disposição das empresas para comprar e processar soja passa a ter maior peso na leitura do mercado físico.

Óleo de soja e biocombustíveis influenciam a indústria

Enquanto o farelo tem na alimentação animal seu principal destino, o óleo de soja também atende à produção de biocombustíveis. Essa demanda acrescenta uma variável à rentabilidade do esmagamento: conforme o valor do óleo muda, a conta da indústria para processar o grão também pode mudar.

De acordo com a Biond Agro, o óleo lidera a valorização do complexo soja em 2026, com alta aproximada de 44%. Brasil, Estados Unidos e Indonésia vêm ampliando, por mecanismos distintos, o uso de óleos vegetais em biocombustíveis.

“O óleo deixou de ser visto apenas como um produto que sai do esmagamento. A demanda ligada à energia acrescenta uma nova variável ao mercado e pode alterar a conta da indústria”, afirma Yedda.

Margem de esmagamento vira indicador para o produtor

A margem de esmagamento relaciona o custo de compra da soja ao valor obtido com a venda de farelo e óleo. Quando essa relação é mais favorável, a indústria tende a encontrar maior incentivo econômico para processar o grão.

Nos Estados Unidos, a margem informada pela Biond Agro está em US$ 114,05 por tonelada, cerca de 24% acima da média dos últimos cinco anos. Na China, está em US$ 18,73 por tonelada, próxima da média histórica de US$ 16,01.

Para o produtor, acompanhar essa margem pode ajudar a identificar mudanças no interesse comprador. A análise, porém, precisa considerar também Chicago, câmbio, prêmios, clima e a demanda chinesa. Estoques de óleo, capacidade de processamento e políticas de biocombustíveis completam o conjunto de indicadores que pode influenciar as oportunidades de venda da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

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