Publicado em: 13/05/2026 às 11:21hs
O mercado global da soja segue em forte movimento de alta nesta quarta-feira (13), sustentado pelos números mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), pela demanda aquecida por óleo e farelo e pelas expectativas envolvendo a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para os próximos dias em Pequim.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa avançam novamente, consolidando um cenário altista para o complexo soja e elevando a atenção do mercado brasileiro para oportunidades de comercialização.
Por volta das 8h15 (horário de Brasília), os principais contratos da soja registravam ganhos entre 2,75 e 5,25 pontos.
O vencimento julho/26 testava US$ 12,30 por bushel, enquanto:
O mercado segue repercutindo os dados do relatório WASDE, divulgado pelo USDA, que trouxe redução inesperada nos estoques finais norte-americanos da safra 2025/26.
A revisão foi motivada pelo aumento do esmagamento doméstico e pelo crescimento da demanda por óleo de soja voltado à produção de biocombustíveis nos Estados Unidos.
Segundo o relatório, o consumo de óleo destinado ao setor energético passou de 6,44 milhões para 8,07 milhões de toneladas, em um ambiente de petróleo acima dos US$ 100 por barril.
Os derivados da soja acompanham o movimento positivo em Chicago, embora com intensidade menor em relação ao grão.
O destaque continua sendo o farelo de soja, impulsionado pela demanda global aquecida, especialmente para alimentação animal.
Na sessão anterior:
Já os contratos futuros da soja encerraram o dia com valorização consistente:
Além dos fundamentos de oferta e demanda, o mercado agrícola segue altamente sensível ao cenário geopolítico internacional.
As tensões envolvendo Irã e Estados Unidos continuam influenciando o comportamento das commodities, mas o principal foco do complexo soja está voltado ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para ocorrer entre os dias 14 e 15 de maio, em Pequim.
O comércio agrícola deve ocupar posição central nas negociações entre as duas maiores economias do mundo, especialmente no caso da soja, principal commodity das relações comerciais entre Estados Unidos e China.
Apesar da expectativa positiva, operadores mantêm cautela diante do forte apetite chinês pela soja brasileira, que segue altamente competitiva no mercado internacional.
No mercado brasileiro, a valorização da CBOT melhora as indicações nos portos e nas principais regiões produtoras, embora o dólar relativamente estável limite movimentos mais agressivos de alta.
No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande registrou cotação de R$ 131,00 por saca, alta de 2,83%.
A colheita no estado alcança 79% da área, mas o excesso de umidade vem dificultando os trabalhos de campo e elevando os custos de secagem.
Além disso, o frete curto disparou em algumas regiões gaúchas, com alta de até 55% em localidades como Erechim e Pelotas.
Em Santa Catarina, os preços seguem estáveis, com referência de R$ 129,00 por saca em São Francisco do Sul. O estado mantém atenção elevada para a ferrugem asiática, exigindo aplicações preventivas em áreas de fronteira agrícola.
No Paraná, a colheita já atinge 99% da área cultivada, porém produtores enfrentam dificuldades operacionais devido à falta de diesel em municípios como Guarapuava, Irati e Rio Azul, justamente na reta final da safra e no início da preparação para o trigo.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul apresentou superávit comercial de US$ 958,4 milhões em abril, embora a produtividade média tenha recuado 22,4%, ficando em 84,2 sacas por hectare.
Já em Mato Grosso, 72,52% da safra estava comercializada até abril, com produtores reduzindo o ritmo de vendas enquanto aguardam melhores oportunidades de preços.
A chegada da safra de milho também aumenta a pressão sobre armazenagem e logística, forçando a liberação de espaço nos silos e elevando os custos operacionais.
Com estoques mais ajustados nos Estados Unidos, demanda aquecida por derivados e atenção total ao cenário geopolítico internacional, o mercado da soja mantém viés positivo no curto prazo.
No Brasil, o comportamento do dólar, a evolução logística e o avanço da comercialização serão fatores decisivos para determinar o ritmo dos negócios nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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