Publicado em: 07/07/2026 às 11:50hs
A soja começou a semana em forte alta no mercado internacional, impulsionada por um conjunto de fatores que aumentou a preocupação dos investidores e sustentou um movimento expressivo de valorização na Bolsa de Chicago (CBOT). O principal suporte veio das previsões de clima quente e seco nos Estados Unidos, justamente em uma fase decisiva para o desenvolvimento das lavouras, aliado à retomada das compras chinesas de soja norte-americana.
Os contratos futuros registraram uma das maiores altas das últimas semanas. O vencimento julho encerrou cotado a US$ 11,84 por bushel, com avanço superior a 4%, enquanto novembro fechou próximo de US$ 11,92 por bushel. Os subprodutos também acompanharam o movimento positivo: o farelo avançou 2,42% e o óleo de soja registrou alta de 1,48%.
O mercado internacional concentra as atenções sobre o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos, principal região produtora de soja do país.
As projeções meteorológicas indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em grande parte do cinturão agrícola nas próximas semanas. Os mapas mais recentes do serviço oficial de meteorologia norte-americano apontam que o cenário deverá persistir justamente durante o período de floração e início da formação das vagens, fase considerada determinante para o potencial produtivo da cultura.
O quadro climático elevou o prêmio de risco nas negociações e reduziu a confiança do mercado em relação ao desempenho da safra. Reforçando essa preocupação, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu de 66% para 64% a parcela das lavouras classificadas como boas ou excelentes.
Mesmo sem perdas confirmadas, os investidores passaram a precificar a possibilidade de redução na produtividade caso o clima adverso se prolongue.
Outro importante fator de sustentação dos preços é o retorno da demanda chinesa pela soja norte-americana.
Além do aumento de 19% nas inspeções semanais de exportação dos Estados Unidos, operadores confirmaram novas aquisições realizadas por compradores chineses. Informações de mercado indicam que a Cofco reservou pelo menos seis carregamentos para embarque entre setembro e outubro, somando-se às aproximadamente 200 mil toneladas já negociadas anteriormente.
Esse movimento reduz parte das preocupações relacionadas ao ritmo das exportações norte-americanas e fortalece o cenário de maior demanda internacional, oferecendo suporte adicional às cotações.
Após a forte disparada registrada na sessão anterior, os contratos futuros passaram a operar com pequenas oscilações, mas seguem sustentados em níveis elevados.
Analistas avaliam que parte do mercado realiza lucros após os ganhos recentes, porém o viés permanece positivo diante da permanência das previsões climáticas desfavoráveis e da continuidade das compras chinesas.
Enquanto persistirem as incertezas sobre o clima nos Estados Unidos, a volatilidade deve continuar elevada na Bolsa de Chicago.
No Brasil, os preços físicos da soja apresentaram comportamento misto, acompanhando parcialmente a valorização internacional.
No Rio Grande do Sul, a saca chegou a R$ 138 no porto de Rio Grande, enquanto os negócios no interior ficaram entre R$ 131 e R$ 132.
Em Santa Catarina, o porto de São Francisco do Sul registrou R$ 132 por saca, enquanto Palma Sola operou em torno de R$ 116.
No Paraná, Paranaguá encerrou o dia cotado a R$ 137 por saca. Ponta Grossa registrou R$ 126 e Maringá, R$ 126,45.
Já em Mato Grosso do Sul, os preços permaneceram entre R$ 115 e R$ 118,35. Em Mato Grosso, as negociações variaram de R$ 112,50 até R$ 118,34 por saca.
Apesar da recuperação internacional, a comercialização no mercado brasileiro continua sendo influenciada por fatores internos, como a volatilidade do dólar, o elevado custo do frete, limitações de armazenagem e a necessidade de capital para o financiamento da próxima safra.
O mercado internacional segue altamente sensível às atualizações dos mapas meteorológicos dos Estados Unidos. Caso o calor intenso e a escassez de chuvas persistam durante as próximas semanas, as preocupações com a produtividade poderão ampliar ainda mais o prêmio climático incorporado às cotações.
Ao mesmo tempo, a continuidade das compras chinesas reforça o suporte à demanda e pode manter os preços da soja em patamares elevados, beneficiando também o mercado brasileiro. A combinação entre clima adverso, exportações aquecidas e maior interesse dos importadores coloca a soja novamente no centro das atenções do mercado global de commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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