Publicado em: 17/03/2026 às 11:30hs
O mercado global de soja iniciou a semana sob forte pressão, com quedas expressivas nas cotações internacionais, refletindo um ambiente de incertezas geopolíticas, ajustes técnicos e entraves logísticos. Após perdas acentuadas, os preços tentam uma recuperação moderada nesta terça-feira (17), mas o cenário ainda exige cautela por parte dos agentes.
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a segunda-feira com fortes baixas, revertendo os ganhos recentes que haviam levado os preços ao maior patamar em dois anos.
O contrato com vencimento em maio caiu 5,71%, fechando a US$ 11,55 por bushel, enquanto julho recuou 5,65%, a US$ 11,67 por bushel. Nos derivados, o farelo de soja caiu 3,25%, para US$ 312,20 por tonelada, e o óleo de soja recuou 5,18%, para 63,94 centavos de dólar por libra-peso.
O movimento foi intensificado por vendas expressivas de fundos investidores, que vinham acumulando posições compradas nas últimas semanas.
A principal razão para a queda foi o aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente envolvendo as relações comerciais entre Estados Unidos e China.
O mercado reagiu negativamente à possibilidade de adiamento do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, inicialmente previsto para o fim de março. A reunião é considerada estratégica para avanços em acordos comerciais, incluindo compras chinesas de soja americana.
O risco de postergação das negociações, somado ao agravamento de conflitos no Oriente Médio, elevou a cautela dos investidores e ampliou a volatilidade.
Apesar do desempenho robusto no processamento, os fundamentos não foram suficientes para sustentar os preços.
Nos Estados Unidos, o esmagamento de soja atingiu 208,7 milhões de bushels em fevereiro, acima das expectativas do mercado. No entanto, os estoques de óleo de soja subiram para 2,08 bilhões de libras — o maior volume para o mês em 13 anos — o que acabou pressionando as cotações do complexo.
No Brasil, o avanço da colheita — que já atinge cerca de 61% da área — contribui para ampliar a oferta global da oleaginosa.
Além disso, mudanças nas regras de inspeção para exportações destinadas à China trouxeram incertezas ao mercado, impactando o ritmo de originação e pressionando os prêmios. Na semana anterior, a baixa liquidez e a retração de tradings acentuaram esse movimento.
O ambiente doméstico adiciona novos desafios à cadeia da soja. Problemas logísticos e o alto custo do diesel têm dificultado as operações no campo.
No Rio Grande do Sul, a escassez do combustível — com preços próximos de R$ 9,00 por litro — já provoca paralisações parciais na colheita de soja e arroz. Em Santa Catarina e no Paraná, o impacto se estende aos custos da produção de proteína animal e ao frete elevado.
No Mato Grosso do Sul, o aumento do diesel compromete o ritmo das atividades, enquanto no Mato Grosso, mesmo diante de uma safra recorde, persistem limitações estruturais de armazenagem e transporte.
Na manhã desta terça-feira (17), os preços da soja em Chicago operam com maior estabilidade, após testarem limites de baixa na sessão anterior.
Por volta das 7h10 (horário de Brasília), os contratos apresentavam comportamento misto: os vencimentos mais próximos ainda recuavam entre 2,50 e 4,50 pontos, com o maio cotado a US$ 11,50 por bushel, enquanto o setembro subia 6,25 pontos, a US$ 11,28.
Entre os derivados, o farelo registrava leve queda, enquanto o óleo ensaiava recuperação após as perdas superiores a 5% no dia anterior.
Analistas avaliam que a leve recuperação observada neste início de semana representa, sobretudo, um ajuste técnico após as quedas expressivas, e não uma mudança consistente de tendência.
O mercado segue atento às negociações comerciais entre Estados Unidos e China, além das incertezas sobre um possível encontro entre os líderes das duas potências.
As perdas no mercado internacional já refletem diretamente no Brasil. Segundo relatos de produtores e analistas, as quedas recentes chegaram a retirar até R$ 8,00 por saca da soja no mercado interno.
Diante desse cenário, o setor mantém o sinal de alerta, acompanhando os desdobramentos globais e os desafios logísticos domésticos que seguem pressionando a competitividade da cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
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