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Soja: conflito no Oriente Médio domina mercado enquanto relatórios do USDA e da Conab trazem poucas mudanças

Alta do petróleo mantém foco dos investidores no cenário geopolítico; projeções de safra e estoques divulgadas por USDA e Conab confirmam expectativas do mercado


Publicado em: 13/03/2026 às 15:00hs

Soja: conflito no Oriente Médio domina mercado enquanto relatórios do USDA e da Conab trazem poucas mudanças
Foto: CNA
Conflito no Oriente Médio influencia mercado global da soja

O mercado internacional da soja manteve atenção voltada ao conflito no Oriente Médio ao longo da semana, especialmente devido ao impacto da crise geopolítica sobre os preços do petróleo.

A valorização da commodity energética tende a influenciar o complexo da soja, principalmente o óleo de soja, utilizado na produção de biocombustíveis. Esse fator acabou se tornando o principal driver do mercado, deixando em segundo plano a divulgação de relatórios importantes do setor agrícola.

Dessa forma, tanto o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) quanto a revisão da safra brasileira feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tiveram impacto limitado nas negociações.

Mercado doméstico mantém cautela

Mesmo com a recuperação recente dos preços da soja na Bolsa de Chicago, o mercado brasileiro tem apresentado uma postura mais cautelosa.

Produtores continuam atentos ao avanço da colheita da safra e aguardam melhores oportunidades de comercialização, diante da expectativa de cotações mais favoráveis nos próximos meses.

Relatório do USDA confirma projeções anteriores

O relatório de março do USDA trouxe poucas alterações em relação às estimativas divulgadas em fevereiro, confirmando as expectativas do mercado.

Para a safra 2025/26 nos Estados Unidos, o órgão projeta:

  • Produção: 4,262 bilhões de bushels (aproximadamente 116 milhões de toneladas)
  • Produtividade média: 53 bushels por acre

Esses números foram mantidos em relação à projeção anterior.

Estoques e demanda nos Estados Unidos

Os estoques finais norte-americanos foram estimados em:

  • 350 milhões de bushels (cerca de 9,53 milhões de toneladas)

O volume ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que projetava cerca de 343 milhões de bushels.

Já a demanda foi projetada em:

  • Esmagamento: 2,575 bilhões de bushels
  • Exportações: 1,575 bilhão de bushels

As estimativas de exportação permaneceram inalteradas.

Produção mundial apresenta pequeno ajuste

No cenário global, o USDA projetou a produção mundial de soja em 2025/26 em 427,18 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa de fevereiro, que era de 428,18 milhões de toneladas.

Para a temporada 2024/25, a produção mundial foi estimada em 427,19 milhões de toneladas.

Estoques globais

Os estoques finais mundiais para 2025/26 foram projetados em 125,31 milhões de toneladas, número levemente acima da expectativa do mercado, estimada em cerca de 125 milhões de toneladas.

No relatório anterior, o volume estava em 125,51 milhões de toneladas.

Para a temporada 2024/25, os estoques globais estão previstos em 123,84 milhões de toneladas.

Produção de Brasil e Argentina

O USDA manteve praticamente inalteradas as projeções para os principais produtores da América do Sul.

  • Brasil
    • Safra 2025/26: 180 milhões de toneladas
    • Safra 2024/25: 171,5 milhões de toneladas
  • Argentina
    • Safra 2025/26: 48 milhões de toneladas
    • Safra 2024/25: 51,11 milhões de toneladas

A estimativa para a produção argentina sofreu leve redução em relação à projeção anterior, que indicava 48,5 milhões de toneladas.

Importações da China permanecem estáveis

O USDA também manteve inalteradas as projeções para as importações chinesas de soja, principal motor da demanda global.

As estimativas indicam:

  • 112 milhões de toneladas em 2025/26
  • 108 milhões de toneladas em 2024/25
  • Conab revisa produção brasileira de soja

No Brasil, o 6º levantamento da safra de grãos divulgado pela Conab apontou pequena revisão na produção de soja.

A estimativa para a safra 2025/26 é de 177,847 milhões de toneladas, crescimento de 3,7% em relação à temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

Na projeção anterior, a companhia estimava 177,99 milhões de toneladas.

Área plantada e produtividade no Brasil

Segundo a Conab, a área cultivada com soja no Brasil deverá alcançar 48,43 milhões de hectares, aumento de 2,3% frente aos 47,35 milhões de hectares registrados no ciclo anterior.

Já a produtividade média nacional foi estimada em:

  • 3.672 quilos por hectare

Na safra anterior, o rendimento médio ficou em 3.622 quilos por hectare, o que representa variação de 1,4%.

Geopolítica e energia seguem influenciando o mercado

Embora os dados de produção e estoques indiquem um cenário relativamente estável para a oferta global de soja, o comportamento do mercado continua sendo fortemente influenciado por fatores externos.

Entre os principais pontos de atenção dos investidores estão:

  • evolução do conflito no Oriente Médio
  • movimentação dos preços do petróleo
  • impacto sobre o óleo de soja e biocombustíveis

Esses fatores devem continuar determinando a direção das cotações da soja no mercado internacional nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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