Soja cai até R$ 6 por saca no Brasil com dólar em baixa, apesar de alta em Chicago
Valorização do real reduz ofertas de compra e trava negócios; mercado acompanha o plantio da safra 2026/27 e aguarda novas estimativas do USDA
Publicado em: 06/10/2026 às 11:40hs
A queda do dólar mantém os preços da soja sob pressão no Brasil nesta terça-feira (6), depois de provocar perdas de até R$ 6 por saca de 60 quilos em importantes regiões produtoras na segunda-feira (5). Mesmo com a recuperação dos contratos em Chicago, o movimento cambial reduz as indicações dos compradores e afasta produtores das negociações.
Na abertura desta terça-feira, às 9h18, o dólar à vista era negociado a aproximadamente R$ 4,968 na venda, com queda de 0,66%. A moeda havia encerrado a segunda-feira a R$ 5,0022, após recuo de 4,12%, mantendo o câmbio como um dos principais fatores de pressão sobre o mercado doméstico. infomoney.com.br
Segundo a TF Agroeconômica e a Safras & Mercado, a valorização do real teve influência maior sobre os preços brasileiros do que os ganhos registrados pela soja na bolsa norte-americana. O resultado foi uma comercialização praticamente paralisada, com vendedores resistentes às novas ofertas.
Queda do dólar supera suporte de Chicago e trava comercialização
O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, explica que o recuo acentuado da moeda norte-americana ocorreu enquanto os prêmios de exportação permaneceram estáveis no mercado spot e Chicago apresentou apenas uma valorização moderada.
Essa combinação reduziu as referências de compra no mercado físico. Sem disposição para aceitar os preços menores, produtores permaneceram fora das negociações.
O câmbio influencia diretamente a formação das cotações da soja no Brasil: quando o dólar perde valor frente ao real, diminui a receita em moeda brasileira das operações de exportação, pressionando as ofertas pelo grão.
Preços da soja recuam no Sul e no Centro-Oeste
Os levantamentos referentes à segunda-feira mostram quedas disseminadas tanto no interior quanto nos portos.
No Rio Grande do Sul, Passo Fundo passou de R$ 152,50 para R$ 147 por saca, enquanto Santa Rosa recuou de R$ 153,50 para R$ 148. Em Rio Grande, a referência caiu de R$ 161,50 para R$ 156. As perdas de R$ 5,50 não estimularam vendas relevantes.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul registrou indicação de R$ 159,50 por saca, redução de 0,93%, também com vendedores afastados.
No Paraná, Cascavel caiu de R$ 149 para R$ 143, e Paranaguá passou de R$ 160 para R$ 154. Em ambas as praças, a desvalorização foi de R$ 6 por saca.
No Centro-Oeste, Rondonópolis (MT) e Rio Verde (GO) recuaram de R$ 147 para R$ 141. Em Dourados (MS), a queda foi de R$ 2, com a referência passando de R$ 147 para R$ 145.
Esses valores representam as indicações acompanhadas pelas consultorias, em um mercado com poucos negócios efetivamente realizados.
Chicago sobe, mas colheita norte-americana limita recuperação
A soja operava em alta em Chicago na manhã desta terça-feira. No levantamento das 8h54, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 avançava 8,50 pontos, para US$ 12,89 por bushel.
Janeiro de 2027 era negociado a US$ 13,05, com ganho de 8,25 pontos. Março de 2027 subia 7,75 pontos, para US$ 13,15, enquanto maio de 2027 avançava 7,25 pontos, a US$ 13,24 por bushel.
As compras técnicas e a desvalorização do dólar frente a outras moedas ofereciam suporte ao mercado, ao melhorar a competitividade da soja norte-americana.
Em contrapartida, a previsão de tempo mais seco e favorável à colheita nos Estados Unidos limitava o movimento. A entrada da nova produção amplia a disponibilidade física do grão no curto prazo.
Mercado aguarda WASDE e acompanha demanda chinesa
Os investidores também ajustam posições antes do próximo relatório de oferta e demanda mundial, o WASDE, cuja divulgação está prevista pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para sexta-feira, 9 de outubro. USDA
A atenção estará voltada às estimativas de produtividade e produção da safra norte-americana, à medida que a colheita avança.
A demanda chinesa permanece como outra fonte de incerteza. Estoques elevados, margens de esmagamento pouco atrativas e sinais de menor necessidade de importação no quarto trimestre integram o cenário descrito nas análises de mercado e podem restringir uma recuperação mais consistente das cotações.
Chuvas condicionam plantio da soja no Brasil
Além dos preços, produtores acompanham as condições para implantação da safra 2026/27. No Paraná, o excesso de chuva começou a dificultar a semeadura e a entrada de máquinas nas lavouras.
Segundo a TF Agroeconômica, a previsão do Inmet indica acumulados de até 200 milímetros em áreas do Sul nesta semana, com potencial de interromper temporariamente as operações.
Em Mato Grosso do Sul, as precipitações melhoraram a umidade do solo e favoreceram o avanço do plantio. A oferta de soja disponível, entretanto, permanece restrita, com possibilidade de vendas pontuais para financiar os trabalhos da nova safra.
Em Mato Grosso, o levantamento citado pela consultoria aponta 10,23% da área semeada, ainda abaixo do ritmo do ciclo anterior. O Imea manteve a projeção de produção estadual em 48,88 milhões de toneladas, com produtividade de 62,44 sacas por hectare.
A irregularidade das chuvas segue no radar, especialmente para novembro e dezembro. Nesse ambiente, o câmbio, os prêmios de exportação e o comportamento de Chicago continuam determinantes para a retomada dos negócios no mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias