Soja

Soja busca equilíbrio entre câmbio, clima e colheita: Brasil mantém competitividade no mercado global

Mesmo com pressão nos preços internos e desafios logísticos, o país segue como principal fornecedor da oleaginosa para a China e mantém protagonismo no comércio mundial


Publicado em: 28/01/2026 às 12:10hs

Soja busca equilíbrio entre câmbio, clima e colheita: Brasil mantém competitividade no mercado global
Produção brasileira avança em meio a oscilações regionais

O mercado da soja no Brasil apresenta sinais mistos, com alguns estados registrando estabilidade e outros enfrentando pressão sobre os preços. Segundo dados da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul mantém o foco no manejo fitossanitário, enquanto os valores recuam no interior. Para entrega e pagamento em dezembro, o preço no porto foi de R$ 132,00/sc (-1,49%), e no interior, de R$ 121,00/sc (-0,83%).

Em Santa Catarina, o cenário é de leve estabilização, com a saca cotada a R$ 128,66 (-0,53%) no porto de São Francisco. Fatores como a demanda chinesa e o contexto geopolítico internacional sustentam as cotações acima do custo de produção.

No Paraná, o clima segue favorável à produção, com ajustes pontuais nos preços. Em Paranaguá, a saca é negociada a R$ 130,01 (-1,10%); em Cascavel, R$ 119,34 (-0,54%); e em Maringá, R$ 120,72 (+0,19%). Já em Pato Branco, o preço é de R$ 128,66.

No Mato Grosso do Sul, a pressão sobre os preços é mais intensa, associada à falta de infraestrutura de armazenamento. Em Dourados, Campo Grande e Sidrolândia, a saca caiu para R$ 109,01 (-5,17%). O Mato Grosso, por sua vez, intensifica a colheita com preços em retração: Sorriso e Nova Mutum registram R$ 99,11 (-2,64%), enquanto Rondonópolis e Primavera do Leste operam a R$ 109,11 (-0,20%).

Chicago reage a petróleo, câmbio e clima na América do Sul

No mercado internacional, a soja teve valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionada por fatores cambiais, energéticos e climáticos. Conforme a TF Agroeconômica, o contrato de março avançou 0,52%, fechando a US$ 1.067,25 por bushel, enquanto o de maio subiu 0,51%, para US$ 1.079,50.

O óleo de soja também registrou alta de 0,96%, refletindo a valorização do petróleo e o déficit hídrico na Argentina, que enfrenta uma onda de calor com potencial de reduzir sua produtividade. A valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade da soja brasileira no curto prazo, mas os bons rendimentos no Mato Grosso e o avanço da colheita — já em 6,6% da área total, segundo a Conab — contiveram maiores elevações.

Alta em Chicago impulsiona cotações, mas dólar limita ganhos no Brasil

Na manhã desta quarta-feira (28), as cotações da soja seguiram em alta em Chicago, com ganhos entre 8 e 9,5 pontos nos principais vencimentos. O contrato de março era negociado a US$ 10,75 e o de maio a US$ 10,88 por bushel.

O movimento foi sustentado pelas altas no farelo e no óleo de soja, além do comportamento positivo de milho e trigo. No entanto, o dólar em queda, que atingiu as mínimas dos últimos dois anos, pressiona os preços internos no Brasil, reduzindo a margem de rentabilidade dos produtores.

Além disso, questões logísticas — como o encarecimento do transporte e gargalos na infraestrutura — começam a pesar sobre os custos da operação, limitando os efeitos positivos das altas externas sobre o mercado físico nacional.

Pressão em reais e dependência da demanda externa

No mercado doméstico, o avanço da colheita e a valorização do real continuam pressionando os preços da soja em reais. De acordo com Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os valores retornaram às mínimas recentes, exigindo maior dependência da demanda internacional para manter o fluxo de exportações.

Em Sorriso (MT), o preço líquido ao produtor já caiu para abaixo de R$ 100 por saca, com valor bruto em R$ 101,20 em 27 de janeiro, segundo o IMEA. A supersafra brasileira, estimada em 181 milhões de toneladas, amplia a oferta no curto prazo, pressionando o mercado físico.

Mesmo assim, a soja brasileira segue competitiva no cenário global: o produto nacional é negociado em torno de R$ 2.200 por tonelada, valor semelhante ao da Argentina e abaixo do Golfo dos EUA, que supera R$ 2.300. Essa diferença mantém o Brasil como principal fornecedor da China, que já responde por quase 75% das exportações brasileiras da oleaginosa.

“O ambiente segue desafiador, mas não há perda de mercado. A demanda existe e o Brasil continua sendo a origem preferida da China”, afirma Nacaxe. “O foco agora é garantir o escoamento da safra e evitar novas mínimas em reais.”

Fonte: Portal do Agronegócio

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