Soja

Soja brasileira enfrenta volatilidade e desafios logísticos em meio a safra recorde

Mercado interno reage às oscilações cambiais e às políticas do Banco Central, enquanto exportações seguem impulsionadas pela demanda chinesa


Publicado em: 30/01/2026 às 11:10hs

Soja brasileira enfrenta volatilidade e desafios logísticos em meio a safra recorde
Foto: CNA
Mercado nacional opera com cautela e influência internacional

O mercado da soja no Brasil atravessa um período de forte cautela e variação nas cotações, refletindo uma combinação de fatores climáticos, logísticos e cambiais. As oscilações de preços têm sido influenciadas tanto pela oferta interna quanto pelo comportamento do mercado internacional, em especial nas bolsas de Chicago.

Segundo análises da TF Agroeconômica, o cenário segue heterogêneo entre as regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, as lavouras estão em fase final de implantação e apresentam bom potencial produtivo, embora ainda não haja colheita comercial. Santa Catarina mantém estabilidade nas principais praças, com produtores adotando uma postura mais conservadora, divididos entre venda imediata e armazenamento. Já o Paraná revisou para cima sua estimativa de produção, mas enfrenta irregularidades climáticas que afetam o avanço da colheita.

Em Mato Grosso, a colheita avança em ritmo acelerado, enquanto os preços seguem pressionados por custos de transporte e pela saturação da demanda logística — especialmente diante da expectativa de aumento de fretes nas próximas semanas.

Produção nacional deve atingir novo recorde em 2026

De acordo com projeções da Abiove, o Brasil deve alcançar um novo recorde de produção de soja em 2026, com expectativa de esmagamento de 61 milhões de toneladas, representando um crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior. Esse desempenho reforça a liderança brasileira na produção global da oleaginosa e sustenta o protagonismo do país nas exportações mundiais.

Chicago e dólar ditam o ritmo das negociações

No mercado internacional, as cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) vêm registrando movimentos técnicos de ajuste, após períodos de alta. Na última sexta-feira (30), os contratos futuros caíram entre 7,50 e 8,25 pontos, com o vencimento de março cotado a US$ 10,64 por bushel.

O recuo foi influenciado pela queda do óleo de soja e pelo comportamento dos derivados, além da atenção redobrada dos investidores ao clima na América do Sul e ao ritmo da colheita brasileira.

O dólar também segue como fator central de pressão sobre os preços internos, impactando diretamente a competitividade da soja brasileira no mercado externo.

Política monetária do Banco Central influencia o câmbio e os preços

O Banco Central do Brasil (BCB) tem atuado de forma estratégica para conter a volatilidade cambial e manter o equilíbrio monetário. Recentes operações de swap cambial tradicional foram realizadas para garantir liquidez e suavizar as flutuações do dólar, que segue oscilando próximo de R$ 5,00 no fim de janeiro.

De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo BCB em 29 de janeiro de 2026, o mercado financeiro projeta taxa Selic em 9,25% ao final do ano, com inflação (IPCA) estimada em 3,8% e crescimento do PIB de 1,9%. Esses indicadores influenciam diretamente a rentabilidade das exportações e o apetite de investidores no agronegócio.

A política monetária, aliada ao controle da inflação, continua sendo uma das prioridades do Banco Central, o que mantém o real relativamente valorizado e, ao mesmo tempo, reduz a competitividade das commodities brasileiras no curto prazo.

China mantém preferência pela soja brasileira

No cenário global, a China segue como principal destino da soja nacional, favorecendo as importações do Brasil no primeiro semestre de 2026. A vantagem cambial e a abundância de oferta reforçam a competitividade do produto brasileiro frente à soja norte-americana.

Analistas apontam que o ritmo de embarques tende a se intensificar nas próximas semanas, sustentado pela colheita no Centro-Oeste e pela consolidação de novos contratos de exportação.

Logística e comercialização desafiam o produtor

Apesar das boas perspectivas de safra, problemas logísticos continuam sendo um gargalo no escoamento da produção. O aumento do custo dos fretes e a concentração de cargas nos principais portos, especialmente Santos (SP) e Paranaguá (PR), elevam o custo final e reduzem a margem do produtor.

Com isso, muitos agricultores adotam estratégias mais cautelosas de venda, aguardando variações cambiais mais favoráveis antes de comercializar grandes volumes.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --