Soja

Soja avança em Chicago e enfrenta desafios logísticos no Brasil com clima e câmbio em foco

Mercado global da oleaginosa mostra recuperação nas cotações com apoio do câmbio e das preocupações climáticas, enquanto produtores brasileiros lidam com gargalos logísticos e variações regionais de preços


Publicado em: 29/01/2026 às 11:00hs

Soja avança em Chicago e enfrenta desafios logísticos no Brasil com clima e câmbio em foco
Foto: CNA
Mercado internacional: altas em Chicago impulsionadas por clima e câmbio

Os preços da soja voltaram a subir na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta semana, retomando o patamar dos US$ 11,00 por bushel nos contratos mais longos. A recuperação foi impulsionada pela desvalorização do dólar, pela seca na Argentina e pela forte demanda por rações no Hemisfério Norte, especialmente em meio ao inverno rigoroso.

Segundo informações da TF Agroeconômica, o vencimento de março fechou a US$ 10,81, enquanto o contrato de julho atingiu US$ 11,07 por bushel. O movimento também foi acompanhado por ganhos nos derivados — o farelo de soja subiu 1,29%, cotado a US$ 297,80 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja teve leve recuo de 0,18%, fechando a US$ 54,30 por libra-peso.

A recuperação é resultado de compras técnicas após semanas de fortes quedas e reflete também a influência cambial: a valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade da soja brasileira, levando a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) a revisar para baixo a estimativa de exportações em janeiro — de 3,79 milhões para 3,23 milhões de toneladas.

Clima na América do Sul reforça suporte aos preços

As condições climáticas adversas na Argentina, maior exportadora global de derivados de soja, permanecem como fator de sustentação dos preços internacionais. O tempo seco e quente nas principais regiões produtoras deve continuar, pelo menos, até o início de fevereiro.

No Brasil, embora a safra 2025/26 avance e a produção nacional seja estimada em 180 milhões de toneladas, a irregularidade das chuvas no Sul e o excesso de umidade em outras regiões criam desafios operacionais. Esse cenário tem limitado movimentos mais intensos de alta, mesmo com o suporte do mercado externo.

Soja no Brasil: desafios logísticos e volatilidade regional

A colheita da soja avança de forma desigual entre os estados brasileiros, marcada por problemas logísticos e condições climáticas variadas.

No Paraná, o ritmo de colheita é gradual, com produtores enfrentando chuvas irregulares. Em Paranaguá, a saca é cotada a R$ 131,00 (+0,76%), enquanto em Cascavel e Maringá os preços giram em torno de R$ 120,72. Em Ponta Grossa, o valor é de R$ 121,97, e em Pato Branco, R$ 121,50 (+1,77%).

No Rio Grande do Sul, a falta de armazenagem adequada tem reduzido o poder de barganha dos produtores, forçando vendas em períodos de baixa. Os preços no porto estão em R$ 132,00/sc, e no interior, a média é de R$ 122,36/sc. A situação também reflete o impacto da logística limitada e da pressão dos custos de transporte.

Em Santa Catarina, a soja segue a tendência de queda observada no Sul, com cotações em R$ 128,66/sc no porto de São Francisco. A combinação entre restrições estruturais e eventos climáticos extremos expõe a fragilidade do setor produtivo catarinense.

Centro-Oeste: fretes em alta e pressão de oferta

No Mato Grosso, a colheita acelerada provocou colapso logístico e aumento dos fretes, elevando custos e pressionando margens. As cotações variam de R$ 103,70/sc em Sorriso e Nova Mutum (+4,63%) a R$ 110,10/sc em Rondonópolis e Primavera do Leste (+0,91%).

Já no Mato Grosso do Sul, o início do escoamento da safra mantém a pressão de oferta e leve ajuste negativo nas cotações. Em Dourados, o preço ficou em R$ 113,00/sc (+3,66%), enquanto em Campo Grande foi de R$ 110,00/sc (+1,16%).

Perspectivas: volatilidade deve continuar com foco no clima e câmbio

O mercado global de soja segue em um equilíbrio frágil, com fatores climáticos e cambiais determinando o rumo dos preços. Embora o suporte técnico e o avanço das cotações em Chicago indiquem um cenário de recuperação moderada, o avanço da colheita no Brasil e a oferta abundante ainda limitam ganhos mais expressivos.

Analistas avaliam que os próximos dias serão decisivos para confirmar se a alta atual representa uma tendência sustentada ou apenas uma correção pontual após as recentes quedas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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