Soja: adido do USDA prevê safra de 184 milhões de toneladas e queda de 35% nos estoques do Brasil
Processamento recorde e demanda por derivados podem reduzir os estoques finais, mesmo com nova máxima de produção em 2026/27.
Publicado em: 29/10/2026 às 12:30hs
O Brasil poderá colher 184 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, segundo projeção mantida pelo escritório do USDA em Brasília em relatório de 22 de outubro, apresentado pela Terra Agro Insights.
Se confirmado, o volume representará a terceira safra recorde consecutiva, com crescimento próximo de 2% sobre os 180,5 milhões de toneladas estimados para 2025/26.
Apesar da produção maior, o adido projeta estoques finais de apenas 3,96 milhões de toneladas, redução de aproximadamente 35% em relação aos 6,06 milhões do ciclo anterior.
Expansão da área perde velocidade
A estimativa de área foi reduzida de 50 milhões para 49,7 milhões de hectares. O crescimento previsto, de 1,4%, fica abaixo da média anual de 4,2% dos últimos cinco anos.
Juros elevados e custos maiores limitam a expansão, que deve se concentrar principalmente no Matopiba. A produtividade média projetada é de 3,70 toneladas por hectare.
A estimativa do adido difere da projeção oficial do USDA, de 186 milhões de toneladas. No material analisado, a Conab indica 181,6 milhões e a Pro Farmer, 182 milhões.
Esmagamento deve alcançar novo recorde
O processamento brasileiro está estimado em 65 milhões de toneladas, alta de 2,3%. O relatório trabalha com maior demanda por óleo para biodiesel, considerando um cenário de mistura B16, além da procura externa por derivados.
A produção de óleo de soja deve atingir 13,5 milhões de toneladas, com uso industrial de 7,7 milhões. Nesse cenário, as exportações do produto recuariam 15%, para 1,7 milhão de toneladas, com maior disponibilidade direcionada ao mercado doméstico.
Os embarques de farelo estão projetados em 27,5 milhões de toneladas, crescimento de 5,8%. Para a soja em grão, a previsão é de 117,5 milhões, avanço de 2,1%.
Compras chinesas e preços exigem acompanhamento
Segundo dados do MDIC citados pelo adido, as exportações brasileiras de soja para a China caíram 3,6% entre janeiro e setembro. Em setembro, foram 5,3 milhões de toneladas, ante 6,8 milhões um ano antes.
No mercado doméstico, a soja disponível em Mato Grosso recuou para R$ 136,65 por saca na semana de 12 a 16 de outubro. Em Paranaguá, a referência ficou em R$ 154,44.
Para a Terra Agro Insights, o crescimento do processamento pode oferecer sustentação aos preços internos e aos prêmios de exportação. A intensidade desse efeito dependerá da safra efetivamente colhida e da confirmação da demanda projetada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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