Soja

Safra recorde pressiona preços da soja em janeiro, mas expectativa de demanda chinesa anima o mercado internacional

Relatório Agro Mensal do Itaú BBA aponta queda nas cotações internas e externas da soja, avanço da colheita e possível recuperação com novas compras da China


Publicado em: 19/02/2026 às 17:00hs

Safra recorde pressiona preços da soja em janeiro, mas expectativa de demanda chinesa anima o mercado internacional
Foto: CNA
Soja tem queda em janeiro com avanço da colheita sul-americana

O Itaú BBA, por meio de seu relatório Agro Mensal, divulgou uma análise sobre o comportamento recente do mercado da soja, destacando que os preços recuaram em janeiro tanto na Chicago Board of Trade quanto no mercado doméstico.

A tendência de queda foi impulsionada pelo avanço da safra sul-americana, apreciação do real e dificuldades climáticas na colheita brasileira, enquanto as exportações apresentaram crescimento expressivo.

Na CBOT, a soja acumulou o segundo mês consecutivo de desvalorização, caindo 2,2% e fechando a USD 10,52/bushel. O bom desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina e o início da colheita brasileira contribuíram para a retração dos preços.

Preços internos recuam mais que em Chicago

No Brasil, o movimento foi ainda mais intenso. Em Sorriso (MT), os preços caíram 10,2%, com a saca negociada a R$ 105, chegando a ser vendida abaixo de R$ 100 no final de janeiro, devido à valorização cambial.

Mesmo com a leve recuperação em Chicago no início de fevereiro, o mercado doméstico seguiu pressionado pela chuva excessiva, que dificulta a colheita em diversas regiões.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, o Brasil havia colhido 17% da área plantada até o fim de janeiro, com destaque para Mato Grosso (47%), Paraná (14%) e Minas Gerais (13%).

Apesar do bom ritmo, problemas logísticos começaram a aparecer — fretes no Mato Grosso, por exemplo, registraram alta de mais de 10% na segunda quinzena do mês.

Exportações brasileiras ganham ritmo no início do ano

O desempenho das exportações foi um dos pontos positivos do mês. O Brasil embarcou 1,9 milhão de toneladas de soja em janeiro, um crescimento de 75% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para fevereiro, as projeções indicam 11,8 milhões de toneladas exportadas, quase o dobro das 6,4 milhões de toneladas embarcadas em fevereiro de 2025.

Expectativas sobre a China movimentam a CBOT

O relatório do Itaú BBA também destacou que as cotações da soja voltaram a subir no início de fevereiro, influenciadas por expectativas de aumento nas importações chinesas.

Declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sugerindo que a China poderia comprar até 20 milhões de toneladas adicionais de soja dos EUA impulsionaram os preços em Chicago.

Atualmente, a China já adquiriu 12 milhões de toneladas no fim de 2025 e avalia novos contratos que poderiam elevar significativamente a demanda americana. Caso isso se confirme, o balanço de oferta e demanda dos EUA ficaria mais apertado, sustentando os preços futuros.

Efeitos no Brasil: prêmios menores e competitividade mantida

Para o mercado brasileiro, o principal reflexo seria sentido nos prêmios de exportação, que já apresentaram forte queda devido à alta em Chicago.

O país precisaria manter prêmios mais baixos para continuar competitivo e atrair compradores que não dependem da soja chinesa.

O relatório pondera, no entanto, que não faria sentido econômico a China redirecionar suas compras para os EUA no momento, já que o Brasil está em plena colheita e oferece melhores condições de preço.

Perspectivas de produção e estoques

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revisou para cima sua estimativa para a safra brasileira, agora projetada em 180 milhões de toneladas, enquanto manteve os números do balanço americano de oferta e demanda.

As exportações dos EUA permanecem estimadas em 42,9 milhões de toneladas, com estoques finais de 9,5 milhões de toneladas para a temporada 2025/26.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --