Publicado em: 28/05/2026 às 19:40hs
A safra 2026/27 de soja caminha para se tornar a mais cara da última década no Brasil. Levantamento da Agrinvest Commodities aponta que o custo de produção já supera em 5,7 sacas por hectare a média registrada nos últimos sete anos. Na comparação com a temporada 2025/26 — que já havia sido considerada onerosa para o sojicultor — o aumento é de 2,8 sacas por hectare.
O principal fator de pressão continua sendo o mercado de fertilizantes, que mantém forte impacto sobre os custos operacionais da atividade. Segundo o analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza, os insumos nutricionais seguem como o componente mais pesado da conta da próxima safra.
“A safra 2026/27 está se consolidando como a mais cara da última década”, afirma o especialista. Enquanto os fertilizantes apresentaram forte valorização, itens como sementes e defensivos registraram reajustes mais moderados.
De acordo com a consultoria, em uma propriedade de 500 hectares, o custo adicional apenas com insumos já representa o equivalente a cerca de 1.400 sacas de soja em relação ao ciclo anterior.
Apesar de uma leve melhora em relação ao levantamento anterior — impulsionada por pequenas altas nos preços da soja e recuo pontual em alguns insumos — parte dessa redução nos custos está relacionada à diminuição da adubação planejada pelos produtores.
Segundo Souza, muitos agricultores estão reduzindo o investimento em fertilizantes para tentar equilibrar as contas da próxima temporada. O movimento, porém, acende um sinal de alerta para o potencial produtivo das lavouras.
A própria Agrinvest destaca que o produtor brasileiro precisará alcançar produtividade maior ou preços mais elevados para manter margens semelhantes às da safra passada.
Outro ponto de atenção está no timing das decisões comerciais. O atual cenário geopolítico internacional segue influenciando diretamente o mercado global de fertilizantes, provocando volatilidade nos preços e incertezas na oferta.
O sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, ressalta que o produtor enfrenta janelas mais curtas para aquisição dos insumos da safra de verão, o que aumenta o risco de custos ainda maiores nos próximos meses.
Segundo ele, as margens da safra 2026/27 tendem a ficar ainda mais comprimidas, principalmente porque o mercado da soja não apresenta fundamentos sólidos para uma recuperação consistente dos preços, exceto em situações ligadas a fatores geopolíticos.
A perspectiva de redução no investimento tecnológico também preocupa o mercado. Consultorias avaliam que a próxima safra pode ter crescimento limitado de área cultivada e maior vulnerabilidade climática devido ao menor uso de tecnologia no manejo.
O temor em torno de um possível “Super El Niño” já começa a influenciar o planejamento dos produtores, ampliando a cautela sobre investimentos em fertilidade, proteção de cultivos e pacotes tecnológicos.
Especialistas alertam que reduzir aplicações e manejos pode comprometer a produtividade justamente em um momento de margens apertadas no agronegócio brasileiro.
Uma lavoura menos protegida tecnologicamente tende a ficar mais exposta aos riscos climáticos, aumentando a possibilidade de perdas produtivas em um cenário já desafiador para o setor de grãos.
Diante desse contexto, consultorias reforçam que o produtor precisará adotar estratégias cada vez mais precisas de planejamento, gestão de custos e tomada de decisão para preservar competitividade e rentabilidade na safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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