Publicado em: 20/01/2026 às 13:00hs
A safra brasileira de grãos 2025/2026 deve alcançar um novo recorde em área plantada, consolidando o país como uma potência agrícola mundial. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve cultivar 84,1 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 3,3% em relação ao ciclo anterior.
Apesar da expansão, a produção total de grãos deve atingir 354,4 milhões de toneladas, com alta mais modesta de 0,6%, refletindo os efeitos do clima irregular e das condições desafiadoras de plantio em diversas regiões.
Maior produtor de grãos do país, o Mato Grosso deve registrar aumento de 2,3% na área cultivada. No entanto, a produção total pode recuar 3,8%, segundo estimativas da Conab.
O cenário é explicado pelo início irregular do plantio, marcado por chuvas mal distribuídas e temperaturas elevadas, que resultaram em replantios e falhas no estande da soja. “O clima impactou diretamente o desenvolvimento inicial das lavouras. No caso do milho, o avanço se concentrou em áreas irrigadas, o que reduziu os efeitos do estresse climático”, explica Manoel Álvares, gerente de inteligência da ORÍGEO — joint venture entre Bunge e UPL, especializada em soluções sustentáveis para o Cerrado.
No Norte do país, o desempenho é mais favorável. Em Rondônia, a área cultivada cresce 1,3%, com destaque para a soja, beneficiada por boas precipitações.
Já o Pará apresenta um dos maiores avanços do país, com aumento de 10,6% na área agrícola, totalizando 2,24 milhões de hectares e produção estimada em 7,33 milhões de toneladas. O crescimento é impulsionado pela soja, especialmente nas regiões da BR-163, Redenção e Santana do Araguaia. O milho da primeira safra deve manter desempenho estável, sem grandes oscilações.
A região do MATOPIBA — que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — também segue em expansão.
A soja segue como o principal motor da expansão agrícola brasileira. De acordo com a Conab, o grão deve atingir volumes recordes na safra 2025/2026, impulsionado pela ocupação de áreas degradadas e substituição de culturas menos rentáveis.
“Mesmo com diferenças regionais, a soja é o destaque do ciclo. Entretanto, o início da temporada foi desafiador, com chuvas irregulares e necessidade de replantios, o que pode afetar a produtividade final”, ressalta Álvares, da ORÍGEO.
Segundo o especialista, o clima continua sendo o principal fator de risco para a safra. “A expansão da área plantada mostra a confiança dos produtores, mas o La Niña e o comportamento das chuvas ainda trazem incertezas importantes”, alerta.
No Mato Grosso e em Rondônia, as condições climáticas iniciais já provocaram impactos perceptíveis. “No MATOPIBA e no Pará, as lavouras também foram influenciadas pelo fenômeno. Este será um ciclo em que cada decisão técnica fará diferença no resultado final”, conclui Álvares.
Fonte: Portal do Agronegócio
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