Publicado em: 19/01/2026 às 07:30hs
Depois de quase dez anos de instabilidades e desafios no início do ciclo produtivo, a safra de soja 2025/26 começa em um cenário inédito de normalidade climática e expansão de área cultivada. A nova edição do Rally da Safra, a maior expedição técnica privada do agronegócio brasileiro, inicia suas atividades em campo com expectativas positivas e potencial de crescimento consistente.
De acordo com dados prévios da Agroconsult, organizadora do Rally, a produção nacional deve atingir 182,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,9% em relação à safra anterior. A produtividade média está estimada em 62,3 sacas por hectare, acima das 60 sacas da temporada 24/25.
A área plantada de soja deve alcançar 48,8 milhões de hectares, um crescimento próximo de 1 milhão de hectares. Embora o ritmo seja inferior à média da última década — de 1,7 milhão de hectares ao ano —, o avanço reflete a resiliência e o otimismo do produtor brasileiro, mesmo em um ambiente econômico desafiador.
Segundo André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador do Rally da Safra, o movimento de expansão é sustentado por investimentos estratégicos de longo prazo, valorização das terras agrícolas e pela solidez financeira de produtores que seguem ampliando suas operações.
Entre os destaques regionais, o Mato Grosso lidera a expansão, com acréscimo de 277 mil hectares. Em seguida aparecem Goiás (+159 mil ha) e a região do MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins), com 108 mil ha adicionais. O único estado com retração é o Rio Grande do Sul, que reduziu 42 mil hectares devido ao retorno de parte das áreas de soja para o milho e às restrições financeiras locais.
Mesmo com um ambiente econômico mais apertado, os investimentos em tecnologia e fertilização foram mantidos na maioria dos estados. “Os produtores seguem priorizando boas práticas de manejo e tecnologia agrícola, o que sustenta o potencial produtivo nacional”, explica Debastiani.
Somente o Rio Grande do Sul apresentou redução significativa no uso de tecnologia, enquanto as demais regiões mantêm padrões sólidos de investimento com foco em altas produtividades e eficiência.
O início do plantio da safra 25/26 apresentou atrasos em setembro e outubro, devido à irregularidade das chuvas — cenário semelhante ao observado em 2023/24. Estados como Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e o leste do Mato Grosso enfrentaram demora na regularização do regime de chuvas, mas a melhora climática em novembro permitiu recuperação rápida e consistente.
Enquanto isso, regiões do Oeste do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul registraram avanço acelerado no plantio, com destaque para o plantio mais adiantado da história no Oeste paranaense. No Mato Grosso, o quadro foi misto: o médio-norte e o oeste plantaram dentro do calendário ideal, favorecendo o planejamento da segunda safra.
A estabilização do clima entre novembro e dezembro consolidou o potencial produtivo nas principais regiões. No Rio Grande do Sul, as chuvas de janeiro elevaram a projeção para 52 sacas por hectare, acima da média dos últimos cinco anos. No Paraná, a produtividade deve alcançar 65 sacas, próxima ao recorde de 66 sacas registrado em 2022/23.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso deve colher 65 sacas por hectare, ligeiramente abaixo da safra passada. Já o Mato Grosso do Sul deve superar as duas últimas safras com 61,5 sacas, e Goiás projeta 66 sacas, mesmo com o plantio mais tardio.
Na região Nordeste, a Bahia combina expansão de áreas irrigadas com recuperação das lavouras de sequeiro, mantendo 66 sacas por hectare. No MAPITO, a produtividade média estimada é de 60 sacas, dentro da estabilidade histórica.
No Sudeste, São Paulo projeta 62 sacas por hectare, enquanto Minas Gerais mantém potencial de 66 sacas, apesar do atraso no plantio que pode afetar o calendário do milho.
“As projeções climáticas são positivas para as próximas semanas, e, se esse padrão se mantiver, poderemos ver melhora adicional nos índices de produtividade”, afirma Debastiani.
A 23ª edição do Rally da Safra cobrirá mais de 100 mil quilômetros, atravessando 14 estados brasileiros que representam 97% da área de soja e 72% da área de milho do país. As equipes já estão em campo desde 6 de janeiro e seguem até abril de 2026, avaliando o desenvolvimento das lavouras, o manejo e o impacto climático nas principais regiões produtoras.
O projeto conta com o patrocínio de BASF, Credenz®, SoyTech®, xarvio®, OCP Brasil, Banco Santander, Agrivalle, John Deere, Mitsubishi e JDT Seguros.
A primeira equipe iniciou os trabalhos no Oeste do Paraná, enquanto outras seguem percorrendo o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e demais estados do Centro-Oeste e Sul, ampliando o mapeamento das condições reais das lavouras.
“O Rally permite observar diretamente o campo e gerar informações confiáveis para o setor, ajudando produtores e investidores a compreenderem melhor os cenários de produtividade e riscos climáticos”, conclui Debastiani.
Fonte: Portal do Agronegócio
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