Soja

Quebras, clima e mercado internacional pressionam safra de soja no Brasil

Safra brasileira de soja enfrenta desafios climáticos e de comercialização, enquanto preços internacionais seguem voláteis


Publicado em: 13/02/2026 às 11:10hs

Quebras, clima e mercado internacional pressionam safra de soja no Brasil
Foto: CNA

A produção de soja no Brasil caminha para um novo recorde, mas enfrenta desafios climáticos, logísticos e de mercado que impactam rendimento, qualidade e preços. As condições variam entre as regiões produtoras, enquanto o cenário internacional influencia diretamente os negócios.

Sul do país enfrenta alerta vermelho por falta de chuvas

No Rio Grande do Sul, a situação é preocupante. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra alcance 21,4 milhões de toneladas, mas destaca que a falta de chuvas na segunda quinzena de janeiro comprometeu o potencial produtivo. Muitas lavouras estão na fase reprodutiva crítica, com registros de perdas de até 80% em microrregiões como Missões e Santa Maria devido ao calor excessivo.

No mercado, os preços no Porto de Rio Grande variam entre R$ 128,79 e R$ 130,50, mostrando estabilidade a leve queda, apesar da alta de 1,18% em Chicago, cotada a US$ 11,37 por bushel. No interior, cidades como Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa registram R$ 122,36, enquanto o porto marca R$ 129,00, refletindo a paralisação na comercialização, já que produtores aguardam definição das perdas.

Paraná e Mato Grosso mantêm perspectivas de safra recorde

O Paraná já colheu cerca de 20% da área plantada, mantendo a projeção de safra recorde de 22 milhões de toneladas. Em Paranaguá, o preço está em R$ 129,00, com variações moderadas em Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Pato Branco.

No Mato Grosso, 40% da área foi colhida, mas as chuvas elevam a umidade dos grãos e pressionam os fretes, que subiram entre 7% e 20%, reduzindo margens apesar do volume elevado. Já no Mato Grosso do Sul, apenas 6,2% da área foi colhida, e a expectativa é de produção 20,1% menor que a anterior.

Santa Catarina mantém estabilidade na produção

Em Santa Catarina, a colheita ainda está no início e a produtividade segue próxima da média histórica. A região concentra-se no abastecimento da indústria de carnes. Em Campos Novos, os preços variam entre R$ 118,00 e R$ 120,00, enquanto o Porto de São Francisco do Sul indica R$ 128,00.

Mercado internacional sustenta preços, apesar de lucros e dados fracos

Os contratos futuros da soja em Chicago registraram realização de lucros nesta sexta-feira (13), após altas significativas na sessão anterior. Por volta das 6h55 (horário de Brasília), o contrato março recuava para US$ 11,34 e o maio a US$ 11,49 por bushel.

Apesar de números fracos de exportações semanais nos Estados Unidos, o contrato março encerrou a quarta-feira em alta de 1,18%, a 1.137,25 cents por bushel. O farelo de soja março subiu 1,62%, a US$ 307,9 por tonelada curta, e o óleo março avançou 0,86%, a 57,5 cents por libra-peso.

O movimento positivo foi sustentado por fatores técnicos e pelo otimismo com a diplomacia entre EUA e China, incluindo a possibilidade de um encontro entre os presidentes dos dois países em abril. O clima na Argentina e no Mato Grosso, além do excesso de chuvas que ameaça a qualidade das lavouras, também influencia o mercado. Operadores acompanham ainda feriados na China, Argentina e Brasil, que podem reduzir o ritmo de negócios.

Safra brasileira se aproxima de 180 milhões de toneladas

A Conab elevou a estimativa da safra brasileira de grãos para 177,99 milhões de toneladas, aproximando-se das 180 milhões projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mantendo um cenário de ampla oferta no radar do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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