Publicado em: 16/06/2026 às 15:00hs
A busca por cadeias produtivas mais sustentáveis no agronegócio está avançando para uma nova fase: a mensuração objetiva dos resultados no campo. Nesse contexto, a AMAGGI passou a integrar, em 2025, um projeto piloto de agricultura regenerativa liderado pela Round Table on Responsible Soy (RTRS).
O objetivo da iniciativa é desenvolver métricas capazes de medir, validar e demonstrar os impactos das práticas regenerativas na produção de soja, considerando as particularidades da agricultura tropical.
O projeto ganhou aplicação prática na Fazenda Água Quente, unidade agrícola da AMAGGI localizada em Sapezal (MT). A propriedade conta com 20.473 hectares, sendo cerca de 15.876 hectares destinados à produção agrícola, incluindo soja, algodão e outras culturas, além de 336 colaboradores.
A participação no piloto reforça a integração entre pesquisa aplicada e produção em larga escala, permitindo testar indicadores de sustentabilidade diretamente no ambiente produtivo.
A atuação da companhia em iniciativas de produção responsável foi determinante para sua inclusão no projeto. A AMAGGI foi a primeira empresa do mundo a obter certificação no padrão de produção e cadeia de custódia da Round Table on Responsible Soy (RTRS).
Esse histórico, somado ao desenvolvimento de protocolos internos de agricultura regenerativa, consolidou a empresa como referência no tema e abriu espaço para participação no piloto.
Na safra 2024/2025, a Fazenda Água Quente produziu mais de 60 mil toneladas de soja certificada RTRS EURED, com destino principalmente aos mercados europeu e asiático.
Entre as práticas já adotadas pela companhia estão o plantio direto, uso de plantas de cobertura, manejo integrado de pragas (MIP), aplicação de bioinsumos e o uso de tecnologias de agricultura digital e telemetria.
Essas ferramentas integram o sistema de Gestão Socioambiental (GSA) da AMAGGI, que organiza e monitora ações voltadas à redução de impactos ambientais, conformidade legal, segurança do trabalho e relacionamento com stakeholders.
Embora já adotasse práticas regenerativas, a participação no piloto permitiu avançar na discussão sobre a tropicalização dos indicadores de sustentabilidade.
O projeto busca aprimorar a forma de medir resultados no campo, tornando os critérios mais adequados às condições reais da produção agrícola em regiões tropicais.
Entre os pilares analisados estão manejo integrado de pragas, uso responsável de defensivos, segurança do trabalhador, rastreabilidade e gestão de registros operacionais.
Os novos parâmetros também incluem avaliação de biodiversidade, conservação do solo, uso racional da água e controle de insumos agrícolas.
Combinados às práticas regenerativas, esses indicadores contribuem para maior resiliência dos sistemas produtivos, melhoria da saúde do solo e redução de impactos ambientais ao longo do tempo.
Além disso, a certificação RTRS amplia a valorização do produto e facilita o acesso a mercados mais exigentes, ao comprovar conformidade com critérios socioambientais reconhecidos internacionalmente.
Na avaliação da empresa, a mensuração de práticas sustentáveis transforma indicadores técnicos em ferramentas de gestão, conectando sustentabilidade e desempenho econômico.
Esse modelo reforça a competitividade da soja brasileira em cadeias globais cada vez mais exigentes em critérios ambientais e sociais.
A participação da Fazenda Água Quente também contribuiu para o aprimoramento do próprio projeto piloto da Round Table on Responsible Soy (RTRS).
Segundo a gerente global de padrões e assurance da organização, Ana Laura Andreani, a experiência prática da unidade ajudou a fortalecer a construção dos indicadores.
A consultora externa da RTRS e coordenadora do projeto piloto, Helen Estima Lazzari, também destacou que o conhecimento técnico da equipe da AMAGGI contribuiu para tornar os indicadores mais aderentes à realidade do campo.
Com a evolução do projeto, a expectativa é consolidar métricas mais precisas e aplicáveis à agricultura tropical, fortalecendo a credibilidade dos sistemas regenerativos.
A iniciativa reforça o papel do Brasil como protagonista no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a produção de soja em escala global, unindo tecnologia, gestão e responsabilidade socioambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
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