Publicado em: 05/12/2025 às 19:00hs
O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com baixa liquidez e poucas variações de preço, refletindo a postura cautelosa dos produtores, que seguem retraídos à espera de cotações mais atrativas. A combinação entre a queda do dólar e o recuo dos contratos futuros em Chicago limitou ainda mais o ritmo das negociações no país.
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, o comportamento dos preços permaneceu praticamente estável nas principais regiões produtoras:
Passo Fundo (RS): alta leve de R$ 136,00 para R$ 137,00 por saca de 60 kg;
Mesmo com pequenas altas pontuais, o baixo volume de negócios reflete a falta de estímulo para vendas no mercado físico.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em janeiro recuaram 1,67%, sendo cotados a US$ 11,18 por bushel na sexta-feira (5).
O movimento de queda foi influenciado pelo ritmo lento das compras chinesas no mercado americano e pelas boas condições climáticas nas lavouras da América do Sul, que reforçam expectativas de uma safra robusta no Brasil e na Argentina.
Mesmo após o acordo comercial entre Pequim e Washington, prevendo a compra de 12 milhões de toneladas de soja até dezembro, a competitividade da soja sul-americana tem dificultado a retomada das importações dos Estados Unidos.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o cronograma de entregas está sendo cumprido, mas reconheceu que o volume total poderá ser atingido apenas em fevereiro de 2026.
A retomada das chuvas no Brasil e na Argentina trouxe tranquilidade ao campo e garantiu boas condições de desenvolvimento para as lavouras. O cenário aponta para safras volumosas nos dois países, o que tende a manter a oferta elevada e os preços internacionais mais competitivos para os importadores, especialmente os chineses.
A Safras & Mercado estima que a produção brasileira de soja em 2025/26 alcance 178,76 milhões de toneladas, alta de 4% em relação à safra anterior, que totalizou 171,84 milhões de toneladas.
O número representa uma pequena revisão para baixo em relação à projeção divulgada em setembro, quando a estimativa era de 180,92 milhões de toneladas.
Com o avanço da colheita e a definição mais clara dos preços internacionais, analistas esperam maior liquidez no início de 2026, especialmente se houver recuperação nos prêmios de exportação e melhora no câmbio.
Enquanto isso, o mercado físico segue travado, com produtores focados no monitoramento climático e nas tendências externas antes de retomar as negociações em maior escala.
Fonte: Portal do Agronegócio
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