Plantio antecipado de soja no RS exige autorização e não terá cobertura do Proagro
Produtores devem apresentar plano de manejo da ferrugem asiática; lavouras serão monitoradas para avaliar possíveis ajustes no calendário de semeadura
Publicado em: 05/10/2026 às 19:40hs
Produtores de soja do Rio Grande do Sul já podem solicitar autorização para antecipar a semeadura por meio de formulário disponibilizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A medida permite, mediante aprovação, o plantio a partir de 15 de setembro, antes do período estabelecido no calendário regular.
O pedido exige a apresentação de um plano de manejo da ferrugem asiática. A Seapi também alerta que as áreas semeadas antecipadamente não estão amparadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e, por isso, eventuais sinistros não terão cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
A iniciativa atende a uma demanda apresentada principalmente por produtores da região de Santa Rosa, onde condições climáticas adversas têm dificultado o estabelecimento das lavouras em sucessivas safras.
Como solicitar o plantio antecipado de soja
O procedimento foi estabelecido pela Seapi em conformidade com a Portaria SDA/Mapa nº 1.124/2024, de 25 de junho de 2024, no âmbito das regras de controle da ferrugem asiática da soja.
Para solicitar a antecipação, o produtor precisa preencher o formulário e informar as estratégias de manejo integrado que serão adotadas na área. A semeadura antecipada depende de autorização, e a disponibilidade do pedido não representa uma alteração geral do calendário estadual.
O plano deve contemplar práticas voltadas ao controle da ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, uma das principais ameaças fitossanitárias à cultura.
Plano de manejo deve detalhar estratégias contra a ferrugem asiática
Entre as medidas que podem integrar o plano estão a rotação de mecanismos de ação dos fungicidas, o uso de produtos multissítios e a alternância de ingredientes ativos.
A orientação é que o planejamento seja elaborado preferencialmente com acompanhamento de responsável técnico. As prescrições e o receituário agronômico relacionados ao manejo da doença devem ser mantidos por um período de até dois anos.
A exigência busca associar a flexibilização da data de plantio à adoção de cuidados fitossanitários nas lavouras autorizadas.
Seapi e Emater vão monitorar as áreas autorizadas
O Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi e a Emater/RS-Ascar acompanharão as lavouras submetidas ao plantio antecipado. O objetivo é reunir informações para avaliar os efeitos da mudança na época de semeadura.
Segundo o diretor do DDV, Ricardo Felicetti, o monitoramento permitirá analisar a pertinência de uma eventual antecipação do calendário e da criação de zonas com períodos distintos de plantio no estado.
Dessa forma, a experiência nas áreas autorizadas poderá subsidiar a discussão sobre a adequação das datas de semeadura às condições regionais.
Antecipação deixa lavouras sem cobertura do Proagro
A ausência de enquadramento no Zarc é um ponto central para a decisão do produtor. Conforme o alerta da Seapi, o plantio antecipado não contará com cobertura do Proagro em caso de sinistros.
Assim, a autorização para semear antes do calendário regular deve ser considerada juntamente com essa restrição de proteção à atividade.
A demanda pela mudança ganhou força na região de Santa Rosa após safras em que o clima prejudicou o desenvolvimento inicial da soja. As dificuldades provocaram replantios e comprometeram o desempenho das áreas cultivadas, motivando o debate sobre alternativas para o calendário de plantio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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