Publicado em: 06/02/2026 às 15:00hs
Os preços da soja encerraram a semana em alta nas principais praças do Brasil e na Bolsa de Chicago (CBOT), após declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que reacenderam o otimismo em torno de novas compras do grão pela China. A sinalização de um possível aumento nas importações chinesas trouxe impulso imediato ao mercado internacional e animou os produtores brasileiros.
Durante pronunciamento recente, Trump afirmou ter mantido conversas com o presidente chinês Xi Jinping, destacando a possibilidade de novas aquisições chinesas de soja norte-americana. Segundo ele, a China poderia adquirir até 20 milhões de toneladas da safra atual, das quais 12 milhões já estariam comprometidas. Assim, o mercado passou a considerar a hipótese de um incremento adicional de 8 milhões de toneladas.
Além disso, o ex-presidente mencionou que a China pode comprar 25 milhões de toneladas da safra nova, prevista para entrar no mercado a partir de setembro ou outubro deste ano.
O analista Rafael Silveira, da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, observa que, se as compras se confirmarem, os estoques dos Estados Unidos — atualmente em torno de 9,5% da safra 2025/26, em níveis historicamente elevados — podem sofrer redução significativa no curto prazo.
Apesar da euforia inicial, especialistas avaliam que o cenário ainda inspira cautela. A soja norte-americana continua com preço superior ao da soja brasileira, o que gera dúvidas sobre a viabilidade econômica das aquisições anunciadas.
“Se esse movimento de compras realmente acontecer, o Brasil pode sentir o impacto principalmente nos prêmios dos portos, enquanto a CBOT tende a ganhar força”, explica Silveira. “Mas, considerando as margens atuais de esmagamento na China e a diferença entre os preços da soja brasileira e americana, as compras só fariam sentido se houver apoio governamental ou subsídios”, completa o analista.
O otimismo internacional também se refletiu no mercado doméstico, com produtores aproveitando o momento para retomar negociações. Portos como Paranaguá (PR) e Santos (SP) registraram aumento no volume de contratos, principalmente para entrega imediata.
Na segunda metade da semana, as cotações da soja subiram em média R$ 3,00 por saca, estimulando novas vendas. “Ainda não são preços ideais para o produtor, mas já melhoraram o ritmo de comercialização”, comenta Silveira.
Veja as principais cotações no fechamento da semana:
O mercado aguarda o novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para ser divulgado na próxima terça-feira (10). Analistas internacionais projetam uma redução nos estoques finais da safra 2025/26, de 350 milhões para 348 milhões de bushels.
A estimativa para os estoques mundiais de soja deve subir levemente, passando de 124,4 milhões para 125,5 milhões de toneladas. O relatório também deve ajustar as previsões para a América do Sul:
Com a colheita brasileira avançando e o clima favorável à produção, o país segue competitivo no cenário global. No entanto, os próximos movimentos da China e as revisões do USDA devem ditar o ritmo das cotações internacionais nas próximas semanas.
Enquanto isso, os investidores mantêm os olhos voltados para o comportamento da Bolsa de Chicago, que tende a reagir rapidamente a qualquer sinal de confirmação nas compras chinesas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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