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Mercado da soja reage com força em Chicago enquanto colheita brasileira avança em meio a incertezas regionais

Alta nas cotações internacionais impulsionada por possível aumento das compras chinesas; produtores brasileiros enfrentam desafios logísticos e descompasso técnico entre estados


Publicado em: 05/02/2026 às 11:00hs

Mercado da soja reage com força em Chicago enquanto colheita brasileira avança em meio a incertezas regionais
Foto: Wenderson Araujo
Recuperação dos preços da soja em Chicago impulsiona otimismo global

O mercado internacional da soja iniciou o mês com forte valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo expectativas de aumento da demanda chinesa e uma recuperação do sentimento dos investidores.

Na quarta-feira (4), os contratos futuros da oleaginosa encerraram em alta consistente, com o vencimento de março subindo 2,48%, para US$ 10,92¼ por bushel, e o contrato de maio avançando 2,55%, a US$ 11,04¾ por bushel.

O movimento positivo se manteve na quinta-feira (5), com ganhos entre 11,25 e 11,75 pontos nas principais posições, sustentando o contrato de março em US$ 11,03 e o de maio em US$ 11,16 por bushel. Entre os derivados, o farelo de soja apresentou alta superior a 1%, enquanto o óleo de soja avançou cerca de 0,1%.

Conversa entre Trump e Xi Jinping reacende expectativa de exportações aos EUA

A disparada das cotações foi motivada por declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou ter conversado com o líder chinês Xi Jinping sobre um aumento expressivo nas compras de soja americana.

Segundo Trump, a China deve ampliar suas importações de 12 milhões para 20 milhões de toneladas nesta temporada, com previsão de atingir 25 milhões na próxima safra.

O anúncio foi recebido como um sinal de fortalecimento do comércio agrícola entre as duas maiores economias do mundo, reacendendo a confiança do mercado e gerando impactos imediatos nas bolsas de commodities. A expectativa é de que o aumento da demanda chinesa auxilie na recuperação do ritmo das exportações norte-americanas, que acumulam atraso anual de 20,47%.

Produção brasileira avança, mas incertezas e gargalos desafiam produtores

Enquanto o mercado internacional reage positivamente, o cenário interno brasileiro segue marcado por contrastes regionais. Segundo a TF Agroeconômica, a colheita da soja no Mato Grosso já atinge 24,97% da área total, consolidando o estado como o principal termômetro da safra nacional.

As cotações locais permanecem relativamente estáveis:

  • Campo Verde: R$ 105,50 (+0,19%)
  • Lucas do Rio Verde: R$ 100,10 (estável)
  • Primavera do Leste: R$ 106,00 (+0,28%)
  • Rondonópolis: R$ 107,60 (+0,56%)
  • Sorriso: R$ 99,50 (-0,10%)

No Mato Grosso do Sul, a safra recorde enfrenta problemas de infraestrutura e gargalos logísticos. Em cidades como Dourados (R$ 108,00) e Maracaju (R$ 107,00), as cotações apresentaram queda de até 3,6%, refletindo a dificuldade no escoamento da produção.

Dualidade no Paraná e travamento da comercialização no Rio Grande do Sul

No Paraná, o cenário é descrito pela TF Agroeconômica como uma dualidade entre sucesso institucional e atraso técnico. Em Paranaguá, a saca é cotada a R$ 127,76 (-0,03%), enquanto em Cascavel e Ponta Grossa os preços ficam em torno de R$ 117,23 e R$ 124,20, respectivamente. A estagnação técnica e o ritmo lento da colheita preocupam cooperativas e produtores.

No Rio Grande do Sul, a comercialização da soja segue travada devido à incerteza produtiva e à competição logística com o milho, cuja produtividade média é de 7.370 kg/ha. A disputa por caminhões e espaço nos armazéns já cria gargalos antes mesmo do início efetivo da colheita de soja.

As cotações variam entre R$ 123,00 e R$ 124,00 em regiões como Ijuí, Cruz Alta e Passo Fundo.

Santa Catarina mantém estabilidade e integração industrial

Em Santa Catarina, o mercado apresenta estabilidade, com Palma Sola registrando leve valorização de 0,87%, cotada a R$ 116,00, e Rio do Sul mantendo o mesmo patamar.

A integração com o complexo agroindustrial catarinense tem sido apontada como fator de equilíbrio, absorvendo boa parte da produção estadual e reduzindo a dependência das oscilações do mercado externo. No porto de São Francisco, a saca é negociada a R$ 131,90.

Perspectivas: mercado segue atento à demanda chinesa e ao ritmo da colheita no Brasil

Com o avanço da colheita no Brasil e as novas perspectivas de exportações americanas, o mercado global da soja segue em um momento de ajuste e expectativa.

A combinação entre demanda aquecida da China, problemas logísticos internos no Brasil e variações climáticas regionais deve continuar ditando o ritmo das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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