Mercado da soja oscila entre realização de lucros e expectativas de biocombustíveis nos EUA
Preços da soja, farelo e óleo em Chicago refletem ajustes técnicos e alta demanda por biocombustíveis; exportações brasileiras seguem impactando o cenário global
Publicado em: 13/03/2026 às 11:10hs
Soja em Chicago registra ajustes após máximas recentes
O mercado internacional da soja apresentou movimentação mista nesta sexta-feira (13), com queda nos preços do grão, farelo e óleo em Chicago, reflexo de um movimento técnico de realização de lucros depois das máximas recentes.
Por volta das 7h (horário de Brasília), os contratos principais registravam:
- Soja maio: US$ 12,16 por bushel (queda de 8,25 pontos)
- Soja julho: US$ 12,29 por bushel (queda de 10,50 pontos)
Segundo analistas, os ajustes ocorrem após fortes altas nos últimos dias, impulsionadas principalmente por:
- Tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionaram os preços do petróleo, fornecendo suporte ao complexo da soja
- Alterações nas normas de inspeção de exportação do Brasil para a China
No entanto, após atingir patamares elevados, o mercado passa por correção técnica, com operadores garantindo lucros e reavaliando suas posições.
Derivados da soja acompanham viés negativo
O movimento de baixa também se refletiu nos derivados do grão:
- Farelo de soja: queda nas negociações da manhã
- Óleo de soja: recuo técnico limitando o fôlego do complexo
Apesar da correção do dia, especialistas ressaltam que geopolítica e preço do petróleo continuam no radar, podendo influenciar os preços nos próximos pregões.
Alta impulsionada por expectativas de biocombustíveis
Na quinta-feira, o mercado registrou novas altas com base nas projeções de demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos. Segundo a TF Agroeconômica:
- Contrato de soja para março subiu 1,04%, a US$ 12,13 por bushel
- Contrato de soja para maio avançou 1,09%, a US$ 12,27 por bushel
- Farelo de soja para maio valorizou 1,52%, fechando em US$ 320,2 por tonelada curta
- Óleo de soja para maio avançou 0,39%, alcançando 67,42 cents por libra-peso
O movimento foi sustentado pela expectativa de que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA defina o Volume Renovável Obrigatório (RVO) para 2026 entre 5,4 e 5,61 bilhões de galões, aumentando a demanda por óleo de soja para produção de biocombustíveis.
Exportações e participação chinesa seguem no foco do mercado
No comércio exterior, os embarques semanais de soja dos EUA ficaram dentro das expectativas, totalizando 456,7 mil toneladas, embora o acumulado da temporada apresente queda de 18,69% em relação ao mesmo período de 2025.
A participação da China permanece limitada: as compras semanais somaram 83,1 mil toneladas, insuficiente para atingir a meta de 20 milhões de toneladas antes da entrada plena da safra brasileira no mercado internacional. A ANEC projeta que o Brasil exportará cerca de 16,47 milhões de toneladas em março, reforçando a oferta global e pressionando a disponibilidade de grão no curto prazo.
Cenário de volatilidade e oportunidades
O mercado da soja permanece sensível a fatores externos, incluindo:
- Ajustes técnicos após altas consecutivas
- Movimentos do petróleo e geopolítica internacional
- Expectativas de biocombustíveis nos EUA
- Fluxo de exportações brasileiras e chinesas
Para os investidores e operadores do mercado, a combinação desses fatores sugere volatilidade no curto prazo, exigindo atenção constante às cotações, derivativos e notícias de exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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